A segunda etapa do mutirão de atendimentos com Cannabis medicinal em Fernando de Noronha (PE) foi realizada entre os dias 17 e 23 de maio com foco em crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e pacientes com quadros de ansiedade, insônia e dor crônica.
A ação é promovida pela AbecMed (Associação Brasileira de Estudos Canábicos), que havia realizado a primeira fase do projeto em fevereiro. Na ocasião, foram feitas 68 consultas presenciais e distribuídos 76 óleos de Cannabis.
Relatório da entidade aponta diagnósticos relacionados à ansiedade em 57,4% dos pacientes atendidos na primeira etapa. Distúrbios do sono apareceram em 41,2% dos casos, enquanto depressão foi identificada em 20,6%. O levantamento também registrou atendimentos relacionados a dor crônica, TEA, TDAH e fibromialgia.
Os dados também indicam associação frequente entre ansiedade, insônia e depressão entre os pacientes atendidos. Segundo a entidade, o perfil identificado reforça a necessidade de acompanhamento contínuo em regiões com acesso limitado a serviços especializados de saúde.
Moradora de Fernando de Noronha, Lucinéia Vicente da Silva, 47, afirmou que começou o tratamento com o filho, Alisson Gabriel da Silva Santos, 16, durante a primeira etapa do mutirão.
Segundo ela, o adolescente, diagnosticado com autismo nível 3, apresentava crises prolongadas de agressividade antes do início do acompanhamento.
“O Alisson tinha fugas intensas, ansiedade e uma agressividade muito forte. As crises chegavam a durar quase uma hora. Hoje reduziram para cerca de 15 minutos”, afirmou.
Ela também relatou mudanças na rotina do filho relacionadas ao sono e ao comportamento. “Ele está dormindo bem, está conseguindo ficar dentro de casa e se comunicar melhor. Antes isso não acontecia”, disse.
A relações públicas Rebeca Allen Ferreira de Lima, 46, presidente da Associação de Mães Atípicas de Fernando de Noronha, participou das duas etapas do projeto com o filho Fabio Patrick Ferreira, 7, diagnosticado com TEA nível 1, TDAH e transtorno do processamento sensorial.
Segundo ela, o Patrick apresentou melhora no sono, redução da agressividade e ampliação alimentar após o início do tratamento. “A alimentação dele era muito restrita. Hoje ele consegue experimentar frutas e outras proteínas”, afirmou.
Rebeca disse ainda que o filho deixou de usar escitalopram neste mês e atualmente utiliza apenas atentah e CBD.
Os atendimentos incluem avaliação médica gratuita, definição de prescrição e acompanhamento remoto dos pacientes.
“Caso o médico entenda que a terapia é necessária, a medicação é prescrita e retirada na própria unidade de saúde”, afirmou o presidente da AbecMed, Alexandre Assis.
Segundo ele, os pacientes recebem acompanhamento remoto e a equipe retorna presencialmente ao arquipélago a cada três meses.
Autor: Folha








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