O norte de Santa Catarina passa a integrar um levantamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) sobre áreas com potencial para terras raras, com a inclusão dos municípios de Garuva e Joinville entre as regiões para extração do mineral crítico. As duas cidades fazem parte do Cinturão Ribeira, formação geológica que se estende entre os estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
“Os primeiros resultados são bastante promissores, com a identificação de concentrações elevadas em diferentes pontos estudados. Em algumas amostras, os teores totais ultrapassam 8 mil ppm [partes por milhão] de elementos de terras raras totais. Os valores são considerados altos para esse tipo de ocorrência e indicam um enriquecimento expressivo”, explica o pesquisador do SGB Guilherme Iolino Troncon Guerra.
O pesquisador afirma ainda que algumas áreas registram concentrações superiores a 3 mil ppm de elementos de terras raras magnéticas, como neodímio e térbio. Segundo Guerra, esses minerais são usados na fabricação de tecnologias estratégicas. “Eles são valorizados no mercado pelo uso em ímãs de alto desempenho, essenciais para tecnologias como motores elétricos e geração de energia renovável”, afirma.
As terras raras reúnem 17 elementos químicos estratégicos para a indústria de alta tecnologia. Esses materiais abastecem a produção de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.
Mapa identifica áreas com potencial para terras raras no Sul e Sudeste
O estudo ainda está em fase preliminar e seguirá até 2027. As equipes do SGB realizaram coletas de solo e rochas e prosseguem com a análise de informações geoquímicas e geofísicas. A metodologia combina os dados para apontar regiões com maior probabilidade de concentração desses elementos.
O geólogo Daniel Fernandes explica que o Cinturão Ribeira é uma antiga cadeia de montanhas formada há centenas de milhões de anos. “É um cinturão orogênico, formado por dobras e falhas, originado a partir da colisão entre continentes e fechamento de oceanos, há mais de 500 milhões de anos. A Orogenia Brasiliana possui cerca de 1,4 mil quilômetros de extensão”, informa Fernandes.
O mapeamento ainda contempla municípios paranaenses como Cerro Azul, Castro, Carambeí e Tijucas do Sul. Em São Paulo, a pesquisa abrange áreas de Itupeva, Alumínio, Capão Bonito, Juquiá, Cajati e Cananéia.

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Prefeituras acompanham estudo sobre potencial de terras raras em Joinville e Garuva
O secretário de Inovação e Comunicação da prefeitura de Garuva, Rafael da Luz, disse que o município acompanha os estudos do SGB e aguarda os dados oficiais dos órgãos federais. “Assim que houver uma manifestação do Ministério de Minas e Energia, vamos avaliar tudo com responsabilidade e transparência. Se confirmada, essa possível descoberta deve abrir novos caminhos para o desenvolvimento do município”, afirma. Por meio de nota, a prefeitura de Joinville afirmou que ainda está levantando as informações técnicas sobre o assunto.
O SGB aponta que a inclusão de uma área no mapa de potencial não representa autorização para mineração nem indica exploração imediata. O objetivo é avaliar a viabilidade técnica, econômica e ambiental dos depósitos identificados.
O SGB destaca que a presença de anomalias geoquímicas e características favoráveis não comprova, por si só, a existência de jazidas com viabilidade econômica. Qualquer projeto de exploração dependerá de etapas futuras, entre elas a definição de recursos e reservas minerais, estudos tecnológicos específicos e processos de licenciamento ambiental conduzidos por empresas e órgãos competentes.
Autor: Gazeta do Povo








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