O Instituto Conhecer Brasil (ICB), de propriedade da mesma empresária dona da produtora responsável pelo filme que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), informou que contratou uma perícia e uma auditoria especializada após ser alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo no começo desta semana. A entidade afirmou estar colaborando com as investigações sobre um contrato de R$ 108 milhões firmado com a prefeitura da capital paulista para fornecer internet wi-fi em bairros da capital.
A investigação apura suspeitas de irregularidades no contrato firmado em 2024, incluindo possíveis indícios de sobrepreço e pagamentos realizados sem a efetiva prestação dos serviços previstos. Segundo o inquérito, a Polícia Civil também identificou sinais de ligação entre as contas do ICB e da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção do longa-metragem.
“A equipe jurídica do instituto contratou perícia e auditoria especializada para oferecer suporte técnico e jurídico a todo o processo de investigação”, afirmou a entidade.
VEJA TAMBÉM:
-

Representante de delegados nega que operação Wi-Fi Livre seja perseguição política
Os investigadores trabalham com a hipótese de que recursos públicos municipais possam ter sido utilizados na produção do filme sobre Bolsonaro. A nota divulgada pelo instituto, porém, não rebate diretamente as suspeitas apontadas pelas autoridades.
No comunicado, a entidade afirmou que “recebeu e cumpriu integralmente o mandado judicial expedido pelas autoridades competentes, colaborando de forma transparente, respeitosa e imediata com todos os procedimentos realizados”. O instituto acrescentou ainda que se colocou à disposição para fornecer documentos, informações e esclarecimentos considerados necessários para a apuração dos fatos.
“Reafirmamos nossa convicção de que os procedimentos em curso permitirão demonstrar a regularidade das ações desenvolvidas pela instituição, bem como evidenciar a correta aplicação dos recursos e a inexistência de desvio de finalidade nos projetos executados”, afirmou o instituto.
Ainda no comunicado, o ICB sustentou que a auditoria e a perícia contratadas são instrumentos importantes para aprofundar as análises técnicas e esclarecer questões de interesse público. Segundo o texto, os trabalhos deverão contribuir para demonstrar a regularidade dos procedimentos adotados pela instituição.
A produtora e a entidade entraram no foco das investigações principalmente após áudios vazados à imprensa revelarem que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrou recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que teriam sido contratados para financiar o filme. Do total de R$ 134 milhões, pelo menos R$ 61 milhões foram efetivamente pagos.
Flávio admitiu a negociação com o banqueiro, mas alegou se tratar de uma relação privada para o financiamento da produção. Posteriormente, ele também admitiu que visitou Vorcaro após a saída da primeira prisão, no final do ano passado.
Autor: Gazeta do Povo




















