
A China iniciou o seu 15º Plano Quinquenal focada em autossuficiência alimentar. A estratégia de Pequim para reduzir importações até 2030 representa um risco estrutural para o Brasil, que tem no país asiático o destino de um terço de todas as suas exportações agropecuárias.
O que prevê o novo plano quinquenal da China para a agricultura?
O plano, que orienta a economia chinesa entre 2026 e 2030, trata a segurança alimentar como prioridade de segurança nacional. O objetivo é transformar a agricultura em um sistema industrial de alta tecnologia, desenvolvendo sementes próprias mais produtivas e utilizando inteligência artificial para depender menos de alimentos vindos de outros países, como o Brasil.
Quais produtos brasileiros são os mais ameaçados pelas novas medidas?
A soja e a carne bovina estão no topo da lista. Atualmente, a China compra 71% da soja exportada pelo Brasil e mais da metade da nossa carne bovina. Relatórios indicam que as vendas de soja para os chineses podem cair até 20 milhões de toneladas por ano até 2030, o que causaria um prejuízo bilionário para os produtores nacionais.
Quais dificuldades os exportadores brasileiros já estão enfrentando?
Pequim já começou a impor barreiras técnicas e burocráticas. Recentemente, milhares de cargas de soja foram barradas com alegações fitossanitárias. Além disso, foi criada uma cota limite para a carne bovina brasileira com tarifa reduzida; o que ultrapassar esse volume será taxado em 55%, tornando o produto do Brasil muito mais caro e menos competitivo no mercado chinês.
Quais podem ser os efeitos dessa mudança dentro da economia do Brasil?
Com a China comprando menos, haverá um excesso de grãos no mercado mundial, o que tende a baixar o preço das commodities e reduzir o lucro do produtor brasileiro. Isso pode gerar um efeito dominó irresistível: queda no preço das terras, adiamento de investimentos em infraestrutura e logística, e uma desaceleração na modernização do campo.
Como o setor agrícola brasileiro pode se proteger desse cenário?
Especialistas sugerem que o Brasil precisa diversificar seus compradores, ativando acordos com a União Europeia e países asiáticos menores para não depender apenas da China. Outra saída é investir na industrialização local, transformando a matéria-prima em produtos de maior valor agregado, além de buscar parcerias com os chineses em energias renováveis e sustentabilidade.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo








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