O número de famílias brasileiras endividadas bateu o quinto recorde consecutivo em maio, chegando a 81,6% da população, indicou um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira (10).
De acordo com os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), o número superou os 80,9% registrados em abril e os 78,2% de maio do ano passado, sendo o maior número desde o início do levantamento, que começou em 2010. A inadimplência chegou a 29,9%.
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O perfil das dívidas dos brasileiros indica uma alta dependência de modalidades de curto prazo. O cartão de crédito segue isolado como o principal vilão do endividamento, sendo utilizado por 84,6% dos consumidores. Na sequência, aparecem os carnês de loja (16,1%) e o crédito pessoal (13,1%).
“O dado reforça o alerta vermelho na economia pelo fato de o cartão carregar a taxa de juros mais elevada do mercado: 428,3% ao ano no crédito rotativo. A inadimplência entre as famílias que recebem até 3 salários mínimos disparou 1,7 ponto percentual em termos mensais, atingindo a marca crítica de 38,6% em maio”, disse a CNC no relatório.
O levantamento considera dívidas as contas a vencer nas modalidades cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.
Impacto do Desenrola 2
Para os próximos meses, as projeções macroeconômicas da CNC indicam que o volume total de endividados deve continuar em trajetória de ascensão, acompanhado por um crescimento tímido das contas em atraso.
A grande novidade e foco de expectativas para o fechamento do ano é o lançamento do programa federal Desenrola 2, que começou a operar exatamente em maio. A alta do endividamento contrasta com promessas feitas por Lula durante a campanha de 2022, quando afirmou que reduziria o número de brasileiros inadimplentes.
Na época, o então candidato afirmou que ajudaria a “renegociar a dívida de 80 milhões de pessoas” no país, seguido de fortes críticas aos bancos. “Os bancos… além de a taxa de juros ser escorchante, quando você pega R$ 100, tem uma quantidade de penduricalhos que triplica a dívida e você não consegue sair mais”, afirmou o presidente.
O aumento do endividamento em patamares recordes se soma a outras pressões econômicas, como a alta dos combustíveis, que levou o governo a anunciar medidas emergenciais.
Autor: Gazeta do Povo




















