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Everest: guia sobrevive 7 dias sozinho; entenda caso – 10/06/2026 – É Logo Ali

Encerrada oficialmente no último dia 29 de maio, a temporada de subida ao monte Everest, a 8.849 metros de altitude, no Nepal, teve o recorde de mais de 1.000 escaladores, cinco mortes e o número inédito de 275 escaladores finalizando a subida no dia 21 de maio, o que gerou mais fotos como as que desde 2019 correm mundo, de grandes filas no Hillary Step, reta final de acesso.

Mas a notícia mais chocante que veio do Everest nesta temporada foi a sobrevivência milagrosa de Hillary Dawa Sherpa, 52, guia que descia do cume com um grupo de clientes e passou mal na Yellow Band, área localizada entre 7.200 e 7.900 metros de altitude. Segundo relatos que circularam nas redes, inclusive do britânico Chris Trow, que estava com o grupo, ele teria se sentado para descansar enquanto os outros seguiam em frente, impelidos pelo fato contado por Trow de um dos clientes estar sofrendo com princípio de congelamento nas extremidades e precisar de auxílio urgente. O sherpa se viraria.

O grupo conseguiu levar o cliente em segurança até a área em que o resgate por helicóptero é possível. Hillary Dawa Sherpa não foi mais visto até o final da temporada.

Na manhã de 4 de junho, quando as escadas e cordas já haviam sido retiradas e os fiscais da SPCC (Sagarmatha Pollution Control Committee) encerravam as atividades na região, eles viram na neve um vulto que engatinhava em sua direção. Era Hillary, que havia conseguido se arrastar até uma barraca abandonada no Campo 3, para continuar sua descida já sem oxigênio suplementar ou comida.

Depois do Campo 3, ele descera até o Campo 2, a 6.400 metros, mas tudo lá havia sido desmontado e removido. Seguiu então para o Campo 1, a 6.000 metros, levando, segundo relatou ao sobrinho Tshiring Jangbu Sherpa mais tarde, um dia inteiro e uma noite. Faltava então cruzar a Cascata de Gelo, de onde as estruturas que permitem cruzar as gretas estavam sendo retiradas. Perto da Cascata, saltando sobre uma fenda, caiu no fundo dela. Lá ficou preso dois dias e duas noites, alimentando-se apenas de alguns chocolates, pó de café instantâneo e gelo para hidratação.

Ironicamente, foi graças a um dos típicos movimentos do glaciar de Khumbu que Hillary viu um bloco cair dentro da fenda e criar uma espécie de degrau que lhe permitiu voltar à superfície. Dali, engatinhando e com congelamento nos pés e mãos, se arrastou até ser avistado pelos sherpas da SPCC. Haviam passado sete dias desde que fora deixado para trás.

Hillary Dewa Sherpa foi levado a um hospital de Katmandu, onde segue internado na UTI com quadro grave de congelamento e desidratação. Seu caso suscita a pergunta que não pode calar: por que ele foi abandonado por seu grupo? Por que não o ajudaram a descer, como ajudaram o cliente pagante? Por que as vidas dos sherpas e de todos os que arriscam a pele para dar o gostinho do cume a um punhado de abonados clientes de todo o mundo não mobilizam imediatamente equipes de resgate que, sim, também correrão muito risco avançando pelos caminhos traiçoeiros do Everest, mas que têm treinamento especial justamente para isso?

Alguém já disse em algum lugar que o ser humano é um projeto que não deu certo. E a cada dia a tese se mostra mais verdadeira.


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Autor: Folha

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