
O regime de Kim Jong-un transformou o futebol feminino em uma vitrine de poder. Com títulos mundiais e continentais recentes, a Coreia do Norte utiliza o sucesso esportivo para projetar uma imagem de unidade e superioridade do socialismo, reforçando a lealdade interna ao ditador em Pyongyang.
Como o regime norte-coreano utiliza as vitórias no futebol?
As conquistas são exploradas como prova da suposta superioridade do sistema socialista. O governo associa o sucesso das atletas à disciplina ideológica e à lealdade ao Estado. Além de projetar uma imagem positiva no exterior, as vitórias servem para fortalecer a figura de Kim Jong-un internamente, apresentando as jogadoras como ‘filhas orgulhosas da pátria’ e exemplos de conduta para a juventude do país.
Quais são os principais êxitos recentes das equipes femininas?
A Coreia do Norte detém um recorde impressionante nas categorias de base, sendo a seleção mais vitoriosa da história com 14 títulos mundiais. Recentemente, a equipe sub-17 tornou-se tetracampeã mundial ao vencer a Holanda, e o clube Naegohyang Women’s FC conquistou a Liga dos Campeões da Ásia. Essas vitórias marcam o retorno do país ao topo do esporte após anos de isolamento devido à pandemia e punições anteriores.
Como funciona o treinamento das atletas no país?
O futebol é tratado como uma ‘guerra’. O investimento começa cedo, na Escola Internacional de Futebol de Pyongyang, que seleciona talentos a partir dos sete anos. Treinadores internacionais descrevem rotinas de exigência extrema, baseadas em repetição exaustiva e disciplina militar. Falhas defensivas são comparadas a invasões inimigas, e as jogadoras são treinadas para encarar cada chute ao gol como se fosse uma munição real em campo.
Quais recompensas as jogadoras recebem por vencer?
Para as atletas, ganhar competições internacionais é uma chance de mudar de vida radicalmente. As premiações podem incluir apartamentos de luxo em Pyongyang, porções extras de alimentos e a prestigiada filiação ao Partido dos Trabalhadores. No entanto, a recompensa mais valorizada no sistema norte-coreano é o encontro pessoal com o líder Kim Jong-un, um evento carregado de simbolismo político que costuma levar as jogadoras às lágrimas.
Quando a Coreia do Norte virá ao Brasil?
Com o retorno gradual às competições da Fifa após uma década de afastamento e suspensões por doping, a seleção principal já garantiu sua vaga para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada no Brasil. Este evento será uma oportunidade crucial para o regime de Pyongyang tentar transformar novamente o desempenho gramado em uma poderosa ferramenta de propaganda internacional em solo brasileiro.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo








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