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Estudo usa IA para identificar sinais de autismo em alunos – 18/06/2026 – Equilíbrio e Saúde

Alunos da rede municipal de Canaã dos Carajás, no Pará, participam de uma pesquisa com uso de inteligência artificial que pode ajudar no diagnóstico precoce de TEA (Transtorno do Espectro Autista), TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e TPAC (Transtorno do Processamento Auditivo Central).

O projeto é desenvolvido por pesquisadores da UFPA (Universidade Federal do Pará) em parceria com escolas e profissionais de saúde do município.

O estudo envolve atualmente 102 alunos com 4 e 5 anos de idade. Funciona assim: o professor ativa câmeras instaladas na sala de aula durante atividades específicas, em que conta uma história ou piada, por exemplo. As reações dos alunos (felicidade, tristeza etc) são registradas em pequenos vídeos e, depois, processadas por um sistema de IA que analisa o material quadro a quadro.

A IA então converte os registros em dados estruturados de resposta emocional, permitindo a identificação de reações ou a ausência delas. Os alunos seguem uma rotina normal de aula enquanto participam de estímulos breves, com duração de dois a três minutos, aplicados em diferentes dias e contextos.

Cada aluno é analisado individualmente, com o acompanhamento das reações ao longo do tempo e a criação de uma série histórica de respostas. Esse material é depois organizado e avaliado em laboratório, na UFPA.

De acordo com o coordenador da pesquisa, o professor Renato Francês, do INCT IAmazônia, da UFPA, a IA identifica padrões consistentes de comportamento que podem ser comuns a crianças neurodivergentes ao compará-los com os de outras crianças.

Iniciado em abril de 2023, o estudo é conduzido por pesquisadores do LabCity (Laboratório de Inteligência Artificial Aplicada a Cidades Inteligentes), com apoio de outros professores e estudantes de graduação e pós-graduação. A expectativa é que os resultados sejam apresentados nos próximos meses.

A ideia surgiu da carência de recursos e de métodos para identificar transtornos ainda em fase precoce em regiões mais afastadas, segundo Francês. Experiências anteriores com uso de IA para identificar emoções e reações também serviram de ponto de partida.

“Lidamos com um alto grau de subnotificação [desses transtornos] em função das assimetrias que o Brasil impõe às regiões periféricas do país”, afirma Francês. “[A demora no diagnóstico] pode gerar prejuízos irreversíveis do ponto de vista do ensino e da aprendizagem”, diz Francês.

Como em qualquer sistema de inteligência artificial, há risco de falsos positivos e falsos negativos. Por isso, a tecnologia foi desenvolvida para atuar como ferramenta de apoio, segundo a pesquisadora Evelin Gomes, uma das coordenadoras do eixo Saúde Pública do INCT IAmazônia.

“Caso o sistema sinalize uma possível alteração, a criança é encaminhada para avaliação clínica por profissionais competentes, seguindo os protocolos tradicionais da área da saúde”, diz Gomes. “Nesse contexto, eventuais falsos positivos podem ser corrigidos pela análise humana.”

O estudo já foi aplicado em três escolas de Canaã dos Carajás, e a expectativa é expandir o projeto para outras cidades.

Na avaliação de Flávia Marçal, diretora de relações institucionais da Abra (Associação Brasileira de Autismo), a inteligência artificial pode contribuir para ampliar o uso de protocolos baseados em evidências científicas e até personalizar avaliações e acompanhamentos do desenvolvimento de pessoas com autismo, inclusive na área educacional.

Ela ressalta, porém, que essas ferramentas não devem substituir o olhar humano no processo de avaliação, além de alertar para a ausência de regulamentação específica no Brasil. “Além disso, a questão da proteção de dados e do direito a ter o seu diagnóstico preservado também é um ponto importante.”

Para a psiquiatra Fabricia Signorelli, pesquisadora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a IA e a visão computacional trazem contribuições, mas há limitações.

“Essas ferramentas operam por meio do cruzamento de informações descritas ou comportamentos captados por câmeras, mas muitos sinais e sintomas observados ou descritos na infância não são exclusivos de um único quadro.”

Autor: Folha

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