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Alaíde Costa: documentário estreia nesta terça (16) – 16/06/2026 – Música em Letras

Chega às telas nacionais e europeias, nesta terça-feira (16) o longa-metragem “A Noite de Alaíde”. Sob a direção de Liliane Mutti, também diretora de “Miúcha, A Voz da Bossa Nova” e “Madeleine à Paris”, “A Noite de Alaíde” tem distribuição nacional pela Bretz Filmes e lançamento em Portugal pela Zero em Comportamento.

A produção não se limita aos moldes tradicionais do documentário biográfico. Trata-se de uma narrativa de 100 minutos que costura elementos de ficção, animações artísticas e um vasto acervo de imagens de arquivo. Essa estrutura híbrida espelha a riqueza da jornada da cantora Alaíde Costa, que em 2026 comemora uma impressionante marca dupla: 90 anos de vida e 70 anos de carreira.

Ao som de composições antológicas interpretadas por sua voz inconfundível — incluindo clássicos imperecíveis como “Dindi”, “Me Deixe em Paz” e “A Voz do Povo” —, o espectador poderá mergulha nas engrenagens de um período efervescente da música popular brasileira.

Mais do que festejar a longevidade da artista, “A Noite de Alaíde” cumpre o papel urgente de reescrever a historiografia da bossa nova. O longa escancara o apagamento sofrido por Alaíde Costa e pelo pianista Johnny Alf (1929-2010) do movimento surgido no final dos anos 50.

Embora tenha sido peça-chave na consolidação do gênero ao lado de Tom Jobim (1927-1994), Vinicius de Moraes (1913-1980) e João Gilberto (1931-2019), assumindo o posto de intérprete, compositora e parceira da chamada “tríade de ouro”, Alaíde enfrentou as barreiras estruturais do preconceito.

No auge do sucesso técnico e artístico, as gravadoras viraram as costas para o seu talento, culminando no veto que impediu ela e Alf de participarem do histórico concerto da Bossa Nova no Carnegie Hall, em Nova York, que aconteceu no dia 21 de novembro de 1962.

Antes de sua estreia comercial simultânea no Brasil e na Europa, o filme construiu uma sólida trajetória em exibições de prestígio e festivais de relevância internacional. A caminhada começou em abril, na França, onde foi exibido no Festival de Cinema Brasileiro de Paris, evento coroado por uma apresentação musical intimista da própria Alaíde na sede mundial da Aliança Francesa. Em seguida, a produção marcou presença no Marché du Film de Cannes. No circuito de valorização da cultura negra, o projeto foi destaque na Feira Preta no Rio de Janeiro. No início de junho, o longa foi projetado ao ar livre na cidade de Guimarães, em Portugal, onde a plateia testemunhou o vigor cênico de Alaíde em um concerto especial baseado na trilha sonora oficial.

A celebração em solo paulista ganha contornos ainda mais calorosos na programação do In-Edit – Festival Internacional do Documentário Musical, que acontece entre 17 e 28 de junho de 2026, em São Paulo. Duas exibições imperdíveis já estão agendadas na capital: a primeira ocorre no sábado (20), na sala do CineSesc; a segunda será no dia 23 de junho, na Casa de Francisca.

O grande diferencial dessas sessões paulistanas será o encontro direto com a história, uma vez que Alaíde Costa estará presente pessoalmente nas duas datas, aproximando o público da genialidade viva de uma das maiores lendas da nossa cultura.

Trata-se de uma oportunidade única de aplaudir de perto a mulher que venceu o silêncio para eternizar seu canto.


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Autor: Folha

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