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EUA e Irã voltam a trocar ataques no Oriente Médio

O regime islâmico do Irã e forças dos Estados Unidos trocaram nesta sexta-feira (26) novos ataques no Oriente Médio, em meio às negociações em curso para transformar o cessar-fogo temporário entre os dois países em um acordo definitivo para encerrar a guerra.

A nova escalada começou depois que Washington acusou Teerã de violar a trégua temporária ao lançar drones contra navios que passavam pelo Estreito de Ormuz. Em resposta, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou que aeronaves americanas bombardearam depósitos de mísseis e drones do Irã, além de bases de radar costeiras usadas pelo regime iraniano.

Segundo o Centcom, um drone de ataque lançado pelo Irã atingiu nesta quinta-feira (25) o navio cargueiro Ever Lovely, de bandeira de Singapura, quando a embarcação deixava o Estreito de Ormuz, próximo à costa de Omã. O comando americano disse que o navio sofreu danos, mas conseguiu seguir viagem. As forças dos EUA afirmaram ter derrubado outros três drones que teriam sido lançados contra embarcações na região nesta quinta.

De acordo com o lado americano, a ação iraniana contra a navegação comercial violou claramente o cessar-fogo e colocou em risco a liberdade de navegação no Ormuz. O presidente Donald Trump classificou o episódio como uma violação “imprudente” do acordo para iniciar as negociações assinado por ele.

Após os bombardeios americanos, a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado posições militares dos Estados Unidos na região. Segundo a mídia estatal iraniana Press TV, a força militar do regime islâmico disse que a ação foi uma retaliação aos ataques americanos contra as áreas costeiras iranianas.

No comunicado, a Guarda Revolucionária também acusou os Estados Unidos de violarem compromissos assumidos no acordo assinado para iniciar as negociações definitivas de paz e disse que Washington usou “pretextos” ligados à “passagem de uma embarcação por uma rota não autorizada no Estreito de Ormuz”. A força islâmica afirmou que a resposta iraniana atingiu locais de posicionamento das forças militares americanas na região.

A Guarda Revolucionária também ameaçou ampliar a resposta caso novos ataques americanos ocorram. “Se a agressão se repetir, nossa resposta será mais ampla do que esta”, afirmou a força militar iraniana, segundo a Press TV.

A troca de ataques ocorre pouco mais de uma semana depois que Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram o memorando de entendimento para tentar avançar em um acordo permanente de paz. O documento previa esforços para encerrar as hostilidades e reabrir com segurança o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, enquanto os dois governos continuavam negociando os termos finais de um possível acordo definitivo.

As conversas diplomáticas vinham sendo conduzidas com participação direta da Casa Branca. No fim de semana passado, o vice-presidente americano J.D. Vance viajou à Suíça para reuniões com representantes iranianos sobre o acordo. Nesta sexta-feira, Vance afirmou que os Estados Unidos respeitaram o cessar-fogo e advertiu que divergências sobre a aplicação do memorando deveriam ser tratadas por telefone, não por meio de ataques.

Do lado iraniano, autoridades acusaram Washington de agir contra as negociações. Ebrahim Azizi, chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, afirmou que os Estados Unidos atacaram o Irã “no meio das negociações” e acusou Trump de não demonstrar compromisso com os princípios do cessar-fogo.

A nova escalada aumenta a pressão sobre o acordo em discussão e reacende o risco de instabilidade no Estreito de Ormuz. A passagem voltou a ser usada diariamente por navios comerciais e petroleiros. Por isso, qualquer ameaça à circulação no local tende a gerar preocupação internacional sobre o abastecimento de energia e a segurança da navegação, que foi duramente afetado na guerra entre Israel, EUA e Irã.

Apesar da troca de ataques, as autoridades americanas não anunciaram o fim das negociações com o Irã.

Autor: Gazeta do Povo

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