A Pontifícia Capela Musical Sistina, instituição de canto coral mais antiga do mundo em atividade, fará a sua primeira turnê histórica pela América Latina em julho de 2026. Sob a regência do Monsenhor Marcos Pavan — paulistano e primeiro brasileiro a assumir o comando definitivo do influente grupo musical na história da Igreja Católica —, o coro do Vaticano passará por quatro estados brasileiros.
O grupo, que realiza o acompanhamento musical oficial das liturgias solenes dos Papas, tem raízes que remontam aos primeiros séculos do cristianismo com a Schola Cantorum romana. A estrutura atual foi consolidada no século 15, sob o pontificado do Papa Sisto IV. Atualmente, mantém cerca de 50 cantores, divididos entre homens adultos e meninos, os pueri cantores, responsáveis pelas vozes agudas.
Os concertos em São Paulo e Brasília terão entrada gratuita. Em Campinas (SP), o evento acontece na próxima sexta-feira (3), às 18h, na Catedral Metropolitana. Em São Paulo capital o concerto acontece no dia 5 de julho, às 13h, na Catedral da Sé (sem retirada de ingressos); e 14 de julho, às 20h30, na Sala São Paulo (ingressos a partir do dia 7 de julho, online e presencial). O grupo também fará apresentação fechada para convidados no TUCA, em celebração aos 80 anos da PUC-SP. Em Curitiba (PR), a apresentação será no dia 6 de julho, às 19h30, na Capela Santa Maria Espaço Cultural. Em Brasília (DF), no dia 8 de julho, às 20h30, no Santuário Dom Bosco. E no Rio de Janeiro o coral se apresentará no dia 10 de julho, às 19h30, na Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema.
Com liderança brasileira e rotina rígida o coral é comandado pelo Monsenhor Marcos Pavan iniciou as atividades na Capela Sistina em 1998, como assistente do coro de meninos. Graduado em Direito pela USP em 1985, Pavan possui sólida formação em técnica vocal e regência. Assumiu a direção interina em 2019 e foi nomeado oficialmente pelo Papa Francisco em 2020. Recentemente, o maestro comandou a trilha sonora litúrgica da primeira missa celebrada pelo atual pontífice, o Papa Leão XIV.
A rotina coordenada por Pavan é altamente rigorosa. Os meninos, de nove a 13 anos, estudam na Scuola Paritaria Pia Casa dei Cavalieri di Colombo, no Vaticano, conciliando a educação regular com ensaios diários de duas a três horas. Aos finais de semana, integram-se aos adultos para ajustar a polifonia.
O grupo adulto é composto por cerca de 24 tenores e baixos profissionais, contratados via concurso público internacional pelo Vaticano, com dedicação exclusiva e atuação em pesquisa musical na Biblioteca Apostólica Vaticana.
O repertório traz peças fundamentais da música sacra. Entre os destaques estão o “Miserere mei, Deus”, de Gregorio Allegri (século 17) — obra que teve o segredo de sua partitura quebrado quando Wolfgang Amadeus Mozart, aos 14 anos, a transcreveu inteiramente de memória após ouvi-la uma única vez —, e a “Missa Papae Marcelli“, de Giovanni Pierluigi da Palestrina (século 16), marco que salvou a polifonia na Igreja Católica ao conciliar harmonia complexa e inteligibilidade do texto sagrado.
Fora do âmbito papal, a Europa abriga poucas relíquias semelhantes da música ocidental, como o alemão Coro de São Tomás de Leipzig (Thomanerchor), fundado em 1212, que figura ao lado da instituição vaticana entre os mais antigos coros de meninos do mundo.
Esta turnê histórica representa uma oportunidade única e extraordinária para o público brasileiro testemunhar a grandiosidade da música sacra em sua máxima expressão. Ouvir o coro oficial do Papa, com séculos de tradição viva, é vivenciar uma experiência acústica e espiritual que raramente ultrapassa as paredes do Vaticano. Sob a regência histórica de um maestro brasileiro, assistir à execução de obras-primas lendárias como as de Allegri e Palestrina, no próprio solo nacional, é um privilégio cultural imperdível. Trata-se de um encontro inesquecível com a história, a beleza e a perfeição técnica do canto coral universal.
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Autor: Folha




















