Considerado um “guru” das Copas do Mundo após cravar o campeão das três últimas edições do Mundial, o economista Joachim Klement quebrou sua série de acertos com a competição deste ano. A Holanda (Países Baixos), que, segundo seu modelo matemático, teria a maior chance de levantar a taça, foi eliminada por Marrocos na noite desta segunda-feira (30).
Antes, outras projeções do alemão já não haviam se concretizado. Em uma delas, ele previu que o Japão eliminaria o Brasil no primeiro jogo do mata-mata.
“Sr. Joachim Klement, favor tentar na próxima Copa”, escreveu Neymar em postagem nas redes sociais após a partida.
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O modelo matemático de Klement previa ainda que a Alemanha cairia nas oitavas de final, mas a seleção tetracampeã acabou sendo eliminada diante do Paraguai, em disputa nos pênaltis, também nesta segunda-feira.
Embora tenha superado diversos outros modelos que tentam prever resultados da Copa do Mundo, o próprio economista sempre admitiu que o acaso é fator preponderante no futebol.
Depois de acertar sua primeira previsão, em 2014, quando apontou que seu país, a Alemanha, venceria a Copa do Mundo realizada no Brasil, ele quis refazer o exercício em 2018 acreditando que demonstraria que o acerto foi uma casualidade.
Sua previsão, no entanto, foi certeira novamente com a França em 2018 — e, depois, com a Argentina, em 2022. A sequência de acertos o alçou ao título de guru.
“Como eu acertei três vezes seguidas, as pessoas, agora, acham que este modelo é invencível e que, é claro, eu certamente irei acertar mais uma vez”, contou à BBC, alertando seus leitores a considerarem seus resultados com cautela.
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Modelo de economista leva em conta futebol, economia e até meteorologia
O modelo estatístico que desenvolveu reúne futebol, economia e meteorologia. Para o economista, o sucesso no futebol depende de fatores que vão muito além das quatro linhas.
O primeiro pilar do modelo é o PIB per capita. Klement argumenta que o sucesso exige infraestrutura: estádios modernos e centros de treinamento de ponta para lapidar o talento bruto. Contudo, ele identifica um ponto de saturação. Países excessivamente ricos podem sofrer uma queda na produtividade esportiva, pois o leque de opções de lazer para os jovens — como os videogames — compete diretamente com o tempo dedicado ao treino nos gramados.
O segundo fator é o tamanho da população, mas com uma ressalva: a massa crítica só importa se o futebol for uma “religião” nacional. É por isso que, apesar de suas enormes populações, China e Índia permanecem irrelevantes no cenário mundial. Já nações sul-americanas e europeias, onde cada criança cresce com uma bola nos pés, maximizam seu capital humano.
O terceiro elemento, o mais curioso, é a temperatura média. O modelo de Klement sugere que a temperatura ideal para a prática do futebol de alto nível é de 14°C, característica comum na Europa e em partes da América do Sul.
Por fim, Klement utiliza o ranking da Fifa como um termômetro da força atual das seleções, ao qual adiciona ainda a sorte. Ele admite que 45% do resultado de um jogo de futebol é determinado pelo acaso. Em um torneio curto e eliminatório, um gol contra ou uma decisão arbitral podem destruir o modelo mais sofisticado.
Bancos apostam em Espanha e França
Enquanto Joachim Klement apostava nos Países Baixos, instituições financeiras de peso utilizam metodologias que apontam cenários diferentes.
Segundo o Bank of America, a grande favorita ao título da Copa do Mundo de 2026 é a França, projetada para vencer a Espanha na final. O levantamento foi feito cruzando dados, inteligência artificial e opiniões de 65 analistas. Além do título, o estudo apontou que o país terá Kylian Mbappé como artilheiro.
As projeções do banco francês Natixis também colocam a seleção francesa no topo, com 26,2% de chance de título, seguida de perto pela Espanha, com 24,6%.
O Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento norte-americanos, utiliza um sistema baseado principalmente na classificação Elo — originalmente criada para o xadrez — para simular as probabilidades.
A Espanha é, nesse caso, a grande favorita, com 26% de chance de conquistar o título, impulsionada por um momento técnico superior. A França aparece em segundo lugar, com 19%.
Os cálculos do conglomerado italiano UniCredit priorizam a cultura do futebol e a capacidade de gerar jovens talentos. Para os analistas, a Argentina quebrará essa escrita e conquistará o bicampeonato consecutivo, vencendo a França em uma reedição da final de 2022.
Autor: Gazeta do Povo








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