quinta-feira, julho 9, 2026
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Remake desnecessário de Moana mina a alma da animação clássica

Moana é filha do chefe de Motunui, uma ilha de tradição polinésia. Como tal, algum dia deverá herdar a liderança do seu povo, mas ela sente desde criança um chamado difícil de silenciar: o do oceano, que a empurra a navegar para além do recife, algo que seu pai considera proibido e perigoso. Quando a ilha começa a sofrer uma grave escassez de alimentos, e incentivada pelas histórias de sua avó, Moana decide desobedecer para buscar a origem de todos os males.

Passaram-se apenas dez anos desde Moana, agora refeita de maneira desnecessária em versão “live-action”. Naquela época, John Musker e Ron Clements — artífices, entre outros, de A Pequena Sereia, Aladdin ou A Princesa e o Sapo — voltavam a trabalhar sobre um padrão que a Disney conhece bem: o de uma jovem que quer emancipar-se e abrir seu próprio caminho, sem romper por isso o vínculo com os seus.

Hoje, quem assume as rédeas é Thomas Kail, conhecido sobretudo por Hamilton, com trilha sonora de Mark Mancina, embora ainda esteja muito presente o estilo de Lin-Manuel Miranda, autor das músicas originais e de uma nova peça que não destoa do conjunto. Aí está, provavelmente, o melhor do filme: a música, o ritmo e essa energia que dá vida a uma história que já funcionava muito bem em sua versão animada.

O problema é outro. O filme nasce marcado pela lógica industrial do remake e não consegue desprender-se totalmente dessa condição. Se alguém consegue abstrair-se disso, encontra uma aventura luminosa, familiar e bem-intencionada, com valores claros: o amor ao seu próprio povo, o respeito aos mais velhos, a amizade, a valentia, a responsabilidade daquele que está chamado a servir. São os mesmos alicerces que fizeram da Disney uma referência no terreno do conto popular.