quinta-feira, julho 16, 2026
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Pinhais

A geração que desaprendeu a conversar e perdeu a humanidade

Estamos conversando menos hoje em dia. O ruído gerado pela inteligência artificial pode estar aumentando, mas nós, humanos, estamos falando menos uns com os outros, com nossas conversas sendo substituídas pela tecnologia digital. Um professor de psicologia questiona se isso não seria um mau presságio para o nosso florescimento: o fato de nós, que somos animais sociais, sermos agora menos verbais, menos sociais do que nunca.

Em O Sobrinho do Mágico, de C.S. Lewis, Aslan, o leão, toca seu nariz no nariz de alguns animais na recém-criada terra de Nárnia. Aqueles que recebem esse toque de Aslan se tornam Animais Falantes, distintos dos demais. Isso nos remete ao relato do livro de Gênesis, em que o Senhor Deus soprou nas narinas do homem o fôlego da vida. Há algo maravilhoso na forma como Lewis descreveu o que significa ser feito à imagem e semelhança de Deus.

A palavra logos significa razão, fala. Deus é o Logos, e nós, humanos, fomos feitos à Sua imagem. O salmista diz que “somos o povo do Seu pasto e as ovelhas do Seu rebanho”. Ovelhas falantes, como em Nárnia, não estariam muito longe da realidade. Somos animais racionais, animais dotados de fala.

Se a razão e a fala estão tão conectadas e constituem quem somos, não seria surpreendente que menos conversas, menos dessa atividade com suas intrínsecas e ricas conexões humanas, levassem a um emburrecimento, até mesmo a uma diminuição da nossa humanidade. Haveria menos conversa, menos conexão com os outros. Nos aprimoraríamos menos, navegaríamos menos por situações difíceis, refletiríamos menos. Teríamos mais dificuldade em construir e reparar amizades, por não termos praticado tanto essa arte.