A Espanha terá pela frente, na luta pelo título da Copa do Mundo, um time liderado em campo por um velho conhecido e fora dele por outro. O técnico da Argentina, Lionel Scaloni, e o craque do time, Lionel Messi, têm relações profundas com o país que tentarão castigar no próximo domingo (19), nos arredores de Nova York.
No caso do atleta de 39 anos, a ligação se iniciou aos 13, quando ele desembarcou nas categorias de base do Barcelona. Deixou o clube mais de duas décadas depois, estabelecido como um de seus grandes ídolos e como um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos.
Entre a chegada e a saída da Espanha, Messi esteve perto de vestir a camisa da seleção nacional. O garoto não demorou a mostrar sua incomum habilidade e era cortejado pela RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol).
Foi nessa época que o ex-goleiro Claudio Vivas, que atuava como auxiliar técnico de Marcelo Bielsa na seleção principal argentina, recebeu imagens do jovem boleiro de Rosário. Elas foram repassadas a Hugo Tocalli, técnico de base.
“Ele passava de zero a cem em dois segundos”, recordou diversas vezes Tocalli, que assumiu a missão de assegurar que o garoto vestisse a camisa alviceleste.
Para isso, foi organizado um amistoso sub-17 contra o Paraguai. As regras da época impediam que os atletas trocassem de seleção depois de atuações em jogos internacionais, mesmo nas categorias de base.
“Imagine se não tivesse dado certo, se ele tivesse ido jogar na Espanha? Eu teria que ter mudado de país”, brincou Tocalli, que teve sucesso na empreitada. Lionel entrou no segundo tempo do duelo no estádio Diego Armando Maradona e marcou um belo gol na vitória da Argentina por 8 a 0.
A essa altura, outro Lionel, Scaloni, já tinha carreira bem estabelecida na Espanha. Era zagueiro do Deportivo La Coruña, aonde havia chegado em 1998. Ele ainda defenderia Racing Santander e Mallorca em sua carreira de beque, antes de dar os seus primeiros passos como técnico.
E esses passos foram dados na Espanha. O profissional trabalhou como auxiliar no Sevilla e participou de um curso oferecido pela federação espanhola. Na sede de Las Rozas, teve como um de seus instrutores aquele que será seu adversário no domingo.
Luis de la Fuente era na ocasião técnico da equipe sub-19 da Espanha e formou uma ótima relação com Scaloni. Em 2024, quando o primeiro liderava a Espanha na conquista da Eurocopa e o segundo comandava o triunfo da Argentina na Copa América, eles manifestaram torcida um pelo outro.
“O Luis ajudou vários de nós que fizemos o curso em Las Rozas, desejo-lhe o melhor. Eu gosto da maneira como que ele administra as coisas, vejo como os jogadores entregam tudo em campo por ele”, afirmou Scaloni.
As gentilezas se repetiram durante a atual Copa do Mundo. Após a vitória da Espanha sobre a França nas semifinais, De la Fuente foi questionado sobre o adversário que gostaria de enfrentar na decisão. “Adoraria encontrar Scaloni. É um amigo”, respondeu.
Lionel, por sua vez, disse estar feliz por ver Luis na decisão. “Ele merece, é um grande cara. Tudo o que vemos no time dele é o que esperamos ver no nosso”, afirmou o técnico da Argentina, antes do triunfo sobre a Inglaterra que confirmou o encontro dos camaradas.
Agora, o treinador de 48 anos terá de enfrentar o velho tutor. E lutar contra o país de seus filhos. Scaloni conheceu sua mulher, a espanhola Elisa Montero, quando defendia o Mallorca. Ian e Noah nasceram na Espanha e vivem em Maiorca.
É muito significativa a ligação do técnico com a Espanha. Assim como é a de Messi, que viveu mais tempo no país do que no seu. Nesse período, quase inacreditavelmente, em uma peça publicitária, o craque deu banho em Lamine Yamal, também seu adversário no fim de semana.
Autor: Folha








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