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A Copa do Mundo e a camisa amarela – 13/06/2026 – PVC

A camisa amarela da seleção brasileira completa 90 jogos de Copas do Mundo neste sábado (13), contra o Marrocos.

Com esse uniforme, a seleção conquistou 61 vitórias e teve apenas 12 derrotas —67% de aproveitamento de acordo com o “Almanaque do Brasil nas Copas”, de Celso Unzelte e Gustavo Carvalho.

A camisa que mete medo nos rivais não produziu esse sentimento no técnico do Marrocos, Mohammed Ouahbi. “Temos respeito.”

Esse amarelo não é de ninguém é e de todos. É do país e dos brasileiros, não é de nenhuma corrente política.

Foi a cor das Diretas Já.

Das Diretas, não da direita.

Símbolos nacionais são roubados por políticos populistas no mundo todo. O partido da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, se chama Fratelli D’Italia.

É o primeiro verso do hino do país, chamado oficialmente “Il Canto Dell’Italiani”.

Ou seja, é dos italianos.

O italiano Carlo Ancelotti sabe bem disso e conhece também o valor da camisa amarela. “É um orgulho defender este país.”

Refere-se à seleção brasileira como a maior da história. Disse isso em entrevista exclusiva à revista Sportsweek, da Gazzetta Dello Sport.

Falou sobre a coincidência de ter de acabar com uma seca de títulos que começou em 2002, o mesmo ano do início do jejum de Champions League do Real Madrid, encerrado em 2014, com ele no comando da equipe espanhola. “Foi a maior pressão e não fez mal.”

O tamanho de Ancelotti é o que parece tirar um pouco da pressão, pelo menos até a primeira derrota.

Derrota? Como assim?

Sim, elas acontecem até com os campeões mundiais. Apesar de o Brasil não saber o que é isso… Ganhou as cinco Copas sem perder nas campanhas. E venceu todas as seis partidas na Copa de 1970 e todas as sete na de 2002.

A Argentina ganhou três Copas perdendo partidas em duas delas. A Espanha perdeu um jogo em 2010 (0 a 1 contra a Suíça), sendo a primeira campeã com derrota na estreia —a segunda foi a seleção de Lionel Messi, há quatro anos, na derrota para a Arábia Saudita.

A Alemanha Ocidental perdeu para a Alemanha Oriental na Copa de 1974 e empatou com a Colômbia na de 1990.

A Itália empatou as três primeiras partidas em 1982, empatou com os Estados Unidos em 2006 e estreou com derrota para a Irlanda em 1994, ano em que só perdeu o título nos pênaltis.

Carlo Ancelotti era assistente técnico daquele time.

Aquela campanha o convenceu de duas coisas.

A primeira é que nem sempre é essencial começar bem, ser brilhante na estreia. Até porque esta é a estreia de rankings mais próximos da história, com o Brasil em sexto e Marrocos em sétimo —em parte porque os marroquinos subiram, em parte porque o Brasil caiu nos últimos anos.

A segunda coisa, que ele sentiu na pele naquela Copa de 1994, tenta agora passar a seus jogadores.

Que a camisa amarela ainda impõe respeito.

Que é um orgulho para alguém que pode vesti-la.

E que todo mundo olha diferente quando ela surge.

É parte da razão de tentarem sequestrá-la em outros momentos, fora da Copa do Mundo.


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Autor: Folha

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