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Pinhais

A primeira greve do Lula e a minha bola de capotão

Era maio de 1978. Lula estava liderando a sua primeira greve no ABC e eu havia ganhado minha primeira bola de capotão. Morávamos no Centro de São Paulo e só havia mais três meninos no prédio além de mim: Mário, do 2º andar, Marcelão, do 5º andar, e Marcelinho, do 3º andar.

Meu pai lia o jornal na sala. Lula — que naquela época ainda não usava barba, mas só um bigodão — dizia na matéria:

“Por mais que os trabalhadores acreditem na diretoria do sindicato, só há um meio de os ouvidos dos patrões atenderem às reivindicações da classe trabalhadora: máquinas paradas e braços cruzados”.

Décadas depois, vim a saber que não foi o Lula que começou aquela greve: o movimento surgira espontaneamente entre os operários. Lula só entrou na jogada depois, para negociar vantajosamente com os empresários. Mas naquele dia eu não estava interessado em questões sindicais; queria estrear a minha nova bola.