O aeroporto de Porto Alegre (RS) ficou 171 dias fechado em 2024 por causa dos prejuízos decorrentes das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul. E, agora, dois anos depois, o terminal não só recuperou como também superou os níveis de movimentação de passageiros de antes do maior desastre climático da história gaúcha.
No primeiro quadrimestre deste ano, o terminal movimentou 2,6 milhões de passageiros, um aumento de 14% em relação ao período logo anterior à enchente, quando foram registrados 2,24 milhões de embarques e desembarques.
O montante acumulado até abril deste ano está muito próximo, inclusive, dos níveis pré-pandemia. O recorde do período é de 2019, quando passaram 2,66 milhões de pessoas pelo aeroporto. A expectativa, segundo a Fraport Brasil, concessionária responsável pelo terminal, é de que haja um incremento nos próximos meses com novos voos para o Nordeste e para o exterior.
Essa recuperação foi gradual. Quando o aeroporto de Porto Alegre reabriu, em outubro de 2024, a quantidade de voos era limitada. E aos poucos as companhias aéreas voltaram a operar as rotas na plenitude. Isso ao mesmo tempo em que a estrutura ainda passava por reformas.
Os problemas mais evidentes foram na pista de pouso e decolagem e nos pátios. A pista ficou 75% submersa e precisou ser reconstruída, sendo reaberta gradativamente de acordo com o avanço dos reparos. O pátio, da mesma forma, com troca total do pavimento anterior por concreto mais resistente e durável. Confira os números referentes aos reparos, somando a parte do terminal de passageiros:
- 32 mil metros quadrados do terminal de passageiros passaram por obras de recuperação
- Mais de 300 mil metros de cabos de TI foram substituídos
- Cerca de 20 mil metros de cabos elétricos foram substituídos
- 10 subestações de energia e 20 grupos de geradores recuperados
- Quase 100 mil toneladas de asfalto usados
- 55 mil metros quadrados de concreto aplicados
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Concessionária do aeroporto de Porto Alegre busca reequilíbrio do contrato
Segundo a Fraport Brasil, o aeroporto de Porto Alegre está hoje melhor do que era antes das enchentes, o que inclui investimentos não previstos no contrato de concessão, como o novo sistema de drenagem com bacias de amortecimento, que coletam água da chuva e que também ajudam a capital gaúcha em caso de chuvas intensas. O custo dessas obras foi de R$ 170 milhões.
No terminal de passageiros, que voltou a funcionar 24 horas por dia no fim do ano passado, foram inauguradas dez novas lojas e uma sala VIP. No plano está a modernização do terceiro piso. “O projeto incorpora referências da cultura gaúcha de forma sutil e contemporânea, por meio de elementos como as mesas compartilhadas inspiradas no churrasco e o uso do couro e de materiais quentes”, disse a Fraport Brasil, em nota à Gazeta do Povo.
Apesar de todos os investimentos, a concessionária ressalta a importância de que as esferas públicas municipal, estadual e federal prossigam com a atualização e melhorias no sistema de proteção contra cheias em Porto Alegre. “Nossa expectativa é que as obras e melhorias ocorram da forma mais célere possível, beneficiando toda a população do estado”, comentou a Fraport Brasil.
Ao mesmo tempo, a concessionária entrou com pedido de reequilíbrio do contrato na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Apesar de um pagamento em caráter cautelar de R$ 426 milhões feito pela União para a reconstrução do aeroporto, o custo final de todas as intervenções estaria próximo de R$ 1 bilhão. A Anac ainda analisa o pedido e não tem prazo para uma deliberação sobre o assunto.
Autor: Gazeta do Povo




















