
O ativista brasileiro Thiago Ávila, ativista pró-Palestina e membro da Flotilha Global Sumud, está no Egito à espera de viajar de volta ao Brasil após ter sido deportado por Israel, onde ficou detido desde o fim de abril.
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A informação foi confirmada à Agência EFE neste domingo (10) por advogados da Adalah, ONG jurídica pró-direitos humanos que atuou em Israel na defesa de Ávila e do ativista palestino-espanhol Saif Abukeshek, outro membro da flotilha que navegava rumo a Gaza.
Ávila deixou o território israelense pela passagem de Taba, na fronteira com o Egito, e primeiro viajará do Cairo para Adis Abeba, na Etiópia, para depois embarcar para o Brasil, segundo a Adalah.
“Embora agora estejam livres, a Adalah condena todo o processo como uma flagrante violação do direito internacional. Desde seu sequestro em águas internacionais até sua detenção ilegal em total isolamento e os maus-tratos aos quais foram submetidos”, disse a organização em um comunicado.
Ainda segundo a Adalah, o “uso da detenção e o interrogatório” contra ativistas e defensores dos direitos humanos é “uma tentativa inaceitável” por parte de Israel de “reprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”.
A esposa de Ávila, a psicóloga Lara Souza, disse à EFE nesta semana em Brasília que o ativista foi confrontado durante sua detenção com fotos de familiares no Brasil “para ameaçá-lo, para torturá-lo psicologicamente”, insinuando que estavam sendo monitorados e que poderiam lhes fazer mal.
“Durante o traslado para Israel, teriam ameaçado jogá-lo do navio em alto-mar e quebrar todo o seu corpo para impedir que participe de novas missões humanitárias”, acrescentou Lara, que pediu proteção para seu marido ao governo brasileiro.
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O Ministério das Relações Exteriores de Israel informou neste domingo (10) sobre a deportação de Ávila e Abukeshek, os chamou de “provocadores profissionais” e ressaltou que não permitirá “nenhuma violação do bloqueio naval legítimo sobre Gaza”.
Os dois foram detidos pela Marinha israelense em águas internacionais durante a madrugada de 30 de abril e entraram em greve de fome na prisão – no último dia 5, Abukeshek também passou a se negar a beber água.
Os dois foram interrogados durante horas, mas não existem acusações formais contra eles.
Ativista espanhol diz que “é preciso continuar mobilização”
O outro ativista liberado e deportado nas últimas horas por Israel, Saif Abukeshek, viajou neste domingo rumo a Barcelona saindo de Atenas, na Grécia, e antes de embarcar gravou um vídeo que a Flotilha Global Sumud postou no X (ex-Twitter).
“Estou certo de que o tratamento que tive que suportar não é comparável com o sofrimento pelo qual passam os prisioneiros palestinos, incluindo crianças e mulheres. Ouvimos depoimentos sobre suas torturas e violações de direitos diárias. É preciso continuar nos mobilizando, não podemos esquecer os prisioneiros palestinos”, disse Abukeshek na capital grega.
O ativista acrescentou que ouviu “as vozes” daqueles que o apoiaram no exterior, desde seus companheiros da Flotilha e familiares até sua equipe de advogados da Adalah, mas que a missão “não acabou”.
“Temos que continuar nos mobilizando até que a Palestina seja livre. Isto é apenas um passo do caminho, nossos colegas (Flotilha) continuam navegando (em direção a Gaza). Levantem-se em cada canto do mundo”, afirmou.
Com informações da Agência EFE
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Autor: Gazeta do Povo








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