O governo brasileiro estuda denunciar os EUA na Organização Mundial do Comércio após novas sobretaxas impostas por Donald Trump, que podem atingir 37,5%. O desafio é que o órgão que julga esses casos está parado desde 2019, o que exige negociações diplomáticas urgentes entre os países.
O que causou essa nova crise comercial entre Brasil e Estados Unidos?
A tensão aumentou após os EUA imporem duas medidas tarifárias em apenas 48 horas. A primeira taxa as importações em 25%, e a segunda adiciona mais 12,5% sobre produtos suspeitos de ligação com trabalho forçado. Juntas, essas sanções fazem com que alguns produtos brasileiros enfrentem uma sobretaxa total de 37,5% para entrar no mercado americano, dificultando as nossas exportações.
Por que recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) parece difícil?
Embora o Brasil tenha o direito de reclamar, o Órgão de Apelação da OMC — que funciona como uma espécie de tribunal de última instância para o comércio — está paralisado desde dezembro de 2019. Isso aconteceu porque os Estados Unidos bloquearam a nomeação de novos juízes. Sem o número mínimo de três julgadores, o órgão não pode tomar decisões oficiais sobre as brigas comerciais entre as nações.
Existem alternativas para o Brasil buscar justiça comercial fora da OMC?
Sim, existe um mecanismo paralelo chamado MPIA, criado por países como a União Europeia, China e o próprio Brasil para servir como uma segunda instância temporária. No entanto, há um grande problema: os Estados Unidos não fazem parte desse grupo. Por isso, especialistas alertam que qualquer decisão tomada nesse fórum não teria valor prático contra as taxas americanas.
Qual é o impacto real do tarifaço na nossa economia?
Embora a taxa de 37,5% pareça assustadora, o impacto total é suavizado por uma lista de exceções. Estima-se que cerca de 85% das exportações brasileiras para os EUA estejam protegidas por essas isenções, que incluem itens essenciais como café e minérios. O foco do governo brasileiro agora é negociar para ampliar essa lista e proteger os setores que acabaram sendo atingidos.
Qual deve ser a estratégia do governo Lula diante desta situação?
A tendência é priorizar a diplomacia em vez de retaliações imediatas. O vice-presidente Geraldo Alckmin indicou que o governo não pretende ‘dar o troco’ com taxas brasileiras agora. Como as eleições de 2026 se aproximam, medidas mais drásticas na OMC podem ficar para depois, usando o tempo atual para tentar convencer o governo americano a aliviar as restrições por meio do diálogo.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo




















