sexta-feira, julho 17, 2026
20.8 C
Pinhais

Cidade mais rica de SC vive apagão de mão de obra

A cidade de Joinville, maior economia de Santa Catarina segundo o IBGE, abriu 6.617 vagas formais no primeiro trimestre de 2026, o maior saldo entre admissões e demissões de todo o estado no período, como aponta o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. O número, que em outro contexto seria sinal de mercado aquecido e saudável, virou o retrato de um problema: a cidade cria postos de trabalho em um ritmo que a própria mão de obra disponível não consegue acompanhar.

Esse descompasso fica mais nítido quando se olha para a taxa de desemprego. Santa Catarina fechou o primeiro trimestre deste ano com a menor desocupação do país, em torno de 2,7%, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE. É o tipo de número que, para a indústria, não significa alívio, significa que não há de onde tirar mais trabalhadores, aponta o economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Pablo Bittencourt.

“As 6,6 mil vagas abertas por Joinville no primeiro trimestre não são um indicador de mercado folgado, mas sim um sinal claro de que o ritmo de geração de empregos na cidade está acima da capacidade real de reposição de mão de obra disponível”, afirmou. A dimensão do problema aparece quando se compara a taxa catarinense com o piso técnico da economia brasileira.

A Fiesc não trabalha com um número fixo de pleno emprego para o estado, mas usa como referência a taxa natural de desemprego do Brasil — a chamada Nairu (non-accelerating inflation rate of unemployment, ou taxa de desemprego não aceleradora da inflação) —, estimada em torno de 8%. Com desocupação de 2,7%, Santa Catarina opera mais de cinco pontos percentuais abaixo desse piso estrutural.