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Como Copa do Mundo influencia humor do brasileiro nas eleições

A neutralidade tem sido a marca política da seleção brasileira desde a década de 1990, apesar de a Copa do Mundo coincidir com os anos de eleições presidenciais. Por outro lado, o Mundial de futebol protela o debate sobre o futuro do país, adia o engajamento dos eleitores sobre o papel decisivo das urnas e tem potencial para tirar de campo os escândalos políticos.

É possível que o mais recente deles, o caso Master, que sacudiu o país, fique em segundo plano na opinião de grande parte dos brasileiros enquanto a seleção verde e amarela disputa o torneio, que começa nesta quinta-feira (11). Segundo pesquisa Meio/Ideia, 45% dos entrevistados afirmam que a Copa do Mundo vai fazer com que a opinião pública esqueça o escândalo do Banco Master durante o período do Mundial. Por outro lado, 41% discordam da afirmação e 14% não souberam ou não responderam ao levantamento.

Mesmo sem cair no esquecimento, a tendência é que as investigações sobre as “jogadas” de Daniel Vorcaro nos Três Poderes sejam arrastadas durante a Copa e que os pré-candidatos adotem uma estratégia mais defensiva, com os holofotes voltados para a seleção brasileira. “O período da Copa é o tempo de organização interna das campanhas, quando o eleitor está com a atenção nos jogos, nos churrascos, nas confraternizações. Pouco se fala de política. É tempo também de esfriar as crises anteriores da pré-campanha. O caso Master entra nessa lógica”, analisa a diretora-executiva do instituto de pesquisa Ideia, Cila Schulman.

De acordo com o professor e consultor de marketing político Marcelo Vitorino, para entender o comportamento do eleitor brasileiro é preciso “separar a agenda da memória”. Na avaliação dele, o caso Master pode até sair das capas dos jornais durante a Copa do Mundo, mas voltará ao centro do campo político com o início da campanha eleitoral no mês de agosto.

“O assunto não precisa sobreviver à Copa, basta esperar que ela acabe. Por isso, quem está devendo explicação não deveria tratar o futebol como borracha. O caminho é enfrentar o tema antes da campanha, enquanto ainda há tempo de construir a própria versão e vacinar a candidatura”, aconselha.

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Brasileiro mostra mais entusiasmo com a Copa do que com as eleições

Vitorino acredita que a torcida brasileira demonstra um menor interesse pelo Mundial deste ano do que em edições anteriores, o que é um agravante para os pré-candidatos que apostam no futebol como uma solução eleitoral. “Uma Copa morna desloca menos atenção e, por consequência, adia menos o debate do que muita gente imagina. Não adianta montar estratégia esperando o futebol resolver alguma coisa”, comenta o consultor.

Ruas do Brasil na Copa do Mundo em 2026
Histórico mostra pouca influência do futebol dentro de campo com o resultado das eleições democráticas no país. (Foto: Isaac Fontana/EFE)

Mesmo assim, o brasileiro ainda demonstra mais interesse no futebol do que em participar do processo eleitoral. A pesquisa Meio/Ideia mediu o entusiasmo do brasileiro em torcer pela seleção verde e amarela na Copa do Mundo e o interesse em votar nas eleições de outubro.

O levantamento mostra que 21,3% dos entrevistados afirmam que estão “totalmente empolgados” com o time brasileiro, e 35,3% responderam que estão “parcialmente animados” para torcer pelos comandados de Carlo Ancelotti.

Animação para torcer pela seleção na Copa do Mundo

  • Parcialmente animado: 35,3%
  • Totalmente animado: 21,3%
  • Nem animado, nem desanimado: 17,5%
  • Parcialmente desanimado: 14,2%
  • Totalmente desanimado: 8,7%
  • Não sabe: 3%

Animação para votar na eleição de 2026

  • Parcialmente desanimado: 24%
  • Parcialmente animado: 22,7%
  • Nem animado, nem desanimado: 19%
  • Totalmente animado: 18,8%
  • Totalmente desanimado: 13%
  • Não sabe: 2,5%

A diretora-executiva do instituto de pesquisa, Cila Schulman, afirma que o resultado reflete o baixo envolvimento do brasileiro com o processo eleitoral, que tende a aumentar a partir do início oficial das campanhas na segunda quinzena de agosto. “A eleição está mais longe do que a Copa do Mundo no calendário. Além disso, é uma eleição, até aqui, com a repetição de um quadro de polarização que tem demonstrado cansaço no eleitor”, comenta.

“Por último, futebol é paixão nacional. Mesmo em ciclos nos quais possa não haver entusiasmo com a seleção convocada, o brasileiro vai entrar no clima, torcer e festejar igual”, completa.

  • Metodologia: Pesquisa Meio/Ideia realizada entre 23 e 27 de maio, com 1,5 mil entrevistas telefônicas em todo o país. Margem de erro de 2,5 pontos percentuais e 95% de nível de confiança. Registro no TSE: BR-02918/2026.

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Desempenho na Copa do Mundo não impacta resultado das urnas

Segundo o professor e consultor de marketing político Marcelo Vitorino, a história mostra que a Copa adia o debate eleitoral no Brasil, mas não muda o resultado das urnas. Ele recorda que, em 2002, quando o Brasil foi pentacampeão, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) levantou a taça na rampa do Planalto e, meses depois, a oposição venceu o tucano José Serra. Foi a primeira vitória presidencial de Lula (PT).

Já em 2014, o Brasil sediou a Copa do Mundo e foi desclassificado na semifinal após sofrer a goleada de 7 a 1 para a seleção alemã. Nas urnas, a petista Dilma Rousseff foi reeleita a presidente, poucos meses depois da humilhante derrota no estádio do Mineirão.

A emoção do futebol é real, mas dura pouco, e o eleitor sabe separar a alegria do estádio dos problemas da vida dele. Quem decide voto é a economia, a segurança e a percepção sobre o próprio dia a dia, e nada disso muda com um gol”, ressalta Vitorino.

A diretora-executiva do Ideia recorda o uso do futebol por governos autoritários, como a Rússia e o Catar, países-sede dos últimos Mundiais. Neste ano, a política migratória dos Estados Unidos e os protestos da população mexicana trouxeram elementos geopolíticos para a Copa do Mundo, antes da abertura do evento na América do Norte.

Mas o país do futebol mantém uma distância segura entre o placar dos jogos da seleção e o resultado das urnas. “Na democracia brasileira não se teve até hoje uma correlação entre resultados da Copa e humor do eleitor. O custo de vida e a corrupção continuam sendo os motivos do voto na urna, não o futebol”, reforça Schulman.

Autor: Gazeta do Povo

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