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Como fortalecer sua mente em tempos de distração – 04/06/2026 – Equilíbrio

Você está no meio de um papo e percebe que perdeu o fio da meada. Ou, um belo dia, não consegue se lembrar do nome de um ator que cita com frequência. Pequenas falhas de memória acontecem com praticamente todo mundo. Mas, diante da rotina acelerada e da avalanche de estímulos à nossa volta, esses lapsos parecem cada vez mais comuns. Afinal, estamos realmente esquecendo mais ou apenas perdendo o foco?

Memória ou atenção?

A preocupação surge quando esses “brancos” começam a interferir no dia a dia do trabalho, nos relacionamentos, nos cuidados com a saúde etc. Em casos mais sérios, disfunções hormonais —como as que acometem as mulheres durante o climatério— e doenças neurológicas podem estar por trás do problema. No entanto, na maioria das vezes, as causas são bem mais simples.

Segundo o neurologista norte-americano Richard Restak, autor do livro “The Complete Guide to Memory: The Science of Strengthening Your Mind”, grande parte dos lapsos de memória atuais são, na realidade, problemas de atenção. De acordo com a sua teoria, é preciso estar presente em determinado momento para que ele seja gravado de forma efetiva.

O problema é que, na nossa sociedade atual, fortemente marcada pela lógica produtivista e pela ideia de otimização do tempo, concentrar-se em apenas uma tarefa é cada vez mais difícil. Além disso, a velocidade com a qual consumimos informação diariamente favorece a dispersão em detrimento do foco.

Mais razões

Devido à conexão do hipocampo com a amígdala cerebral —ou seja, das emoções com a memória—, uma pessoa deprimida costuma ter mais dificuldade para lembrar das coisas que as demais. O estresse constante também compromete essa capacidade mental, devido à presença excessiva e constante do hormônio relacionado a essa condição.

“Se você estiver sempre com o cortisol alto, vai chegar uma hora em que seu cérebro vai saturar”, explicou Altay de Souza, psicólogo e pesquisador da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), no episódio “Como funciona a memória”, do podcast NaruHodo. “Em algumas áreas do conhecimento, isso é chamado de síndrome do burnout, quando a pessoa não consegue reter mais nada.”

Efeito pandêmico

Obviamente, jamais esqueceremos da pandemia de Covid. Mas é fato que as memórias cotidianas da época mais aguda já estão nebulosas para muita gente. Especialistas atribuem essa sensação a fatores relacionados à saúde mental, agravados pela angústia e incerteza do período, somados a outros elementos, como má qualidade do sono, sobrecarga de informações, rotina monótona devido ao confinamento e o fato de que muitas pessoas simplesmente preferem não recordar.

Um estudo liderado por pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e da Unirio também demonstrou que a presença da proteína spike, que fica acoplada na superfície do coronavírus, provoca reações destrutivas no hipocampo. Dentre as pessoas que tiveram a chamada Covid longa —quando os sintomas perduram depois da fase aguda—, 78% relataram ter comprometimento cognitivo.

Treinando a mente

A boa notícia é que, com um pouco de dedicação, é possível exercitar e melhorar a memória. Um bom primeiro passo é evitar fazer várias atividades ao mesmo tempo e desacelerar. Dessa forma, criamos as condições adequadas para prestar atenção ao que estamos fazendo, afastando do pensamento as outras mil tarefas que ainda precisam ser realizadas.

Técnicas como mindfulness e outros tipos de meditação podem ajudar. Também vale evitar “terceirizar” toda a informação com a qual você lida no seu cotidiano. Tente, por exemplo, memorizar um caminho sem GPS ou preparar aquela torta sem consultar o aplicativo de receitas.

Nosso “sistema de armazenamento” também pode ser estimulado por meio de jogos, como xadrez e algumas modalidades de baralho (Bridge, por exemplo). Outras aliadas são as brincadeiras de pergunta e resposta envolvendo nomes e datas, ou até os clássicos Stop e Jogo da Memória. Ler ficção é outro hábito poderoso: acompanhar personagens e narrativas exige que o cérebro conecte informações o tempo inteiro, fortalecendo a memória de forma natural.

atividades físicas aeróbicas —como correr, nadar ou andar de bicicleta— contribuem diretamente para a neurogênese no hipocampo, favorecendo a capacidade de reter o que importa e descartar o que é irrelevante. Manter uma alimentação equilibrada, dormir bem, respeitar momentos de descanso, aprender coisas novas e fazer anotações à mão são outras estratégias que ajudam o cérebro a funcionar melhor no longo prazo.

Autor: Folha

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