Ele será chamado de MetLife neste texto, já que é esse o seu nome original e a forma como é popularmente conhecido.
Porém o estádio que sedia a final da Copa do Mundo nos Estados Unidos teve o nome repaginado temporariamente a pedido da Fifa durante o mundial: simplesmente Estádio de Nova York e Nova Jersey.
O pedido não foi exclusivo. Todos os 16 estádios selecionados nos EUA, Canadá e México passaram a adotar provisoriamente os nomes das cidades nas quais estão localizados durante a competição.
Então, por que Nova York e Nova Jersey e não simplesmente Estádio de Nova Jersey? Ou por que não o inverso: Nova Jersey e Nova York?
O MetLife, afinal, está localizado em East Rutherford, uma região administrativa do estado de Nova Jersey —e não em Nova York, ainda que faça parte da grande região metropolitana. O desconforto logo se instalou, e não houve explicação oficial para a escolha.
Ainda que não propriamente sedie a Copa, Nova York (especialmente a cidade de mesmo nome) é o local que recebe os torcedores que vieram de todas as partes do mundo para o torneio. É, também, onde a economia girou durante a competição. Boa parte dos visitantes só ia a Nova Jersey no dia do jogo que comprou para assistir.
São mágoas passadas.
Não é de hoje que Nova Jersey manifesta, por vezes literalmente, um tratamento secundário em relação ao estado vizinho, um dos mais importantes dos Estados Unidos. Com 9,5 milhões de habitantes, Nova Jersey é conhecido como Golden State (estado jardim), apelido lhe dado no século 18 devido ao seu solo fértil para a agricultura.
Desta vez, o desconforto com a Copa foi manifestado pelas autoridades. Durante o primeiro jogo do Mundial feito no MetLife, a disputa entre Brasil e Marrocos no dia 13 de junho, o gabinete da governadora de Nova York, a democrata Kathy Hochul, compartilhou no X um post.
“Então concordamos que Nova York É a Copa do Mundo?”, dizia a publicação. Ela aparecia em uma foto no estádio ao lado do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.
Veio a resposta: o governo de Nova Jersey, em seu perfil oficial na plataforma, compartilhou o post de Hochul e escreveu, simplesmente, “foto tirada em East Rutherford, Nova Jersey”, como quem sinaliza que a Copa, na verdade, não é em Nova York.
O MetLife foi aberto em 2010 por dois gigantes do futebol americano, o New York Jets e o New York Giants. Um ano depois, a MetLife, gigante da área de seguros, comprou os direitos do nome do estádio.
A negociação veio após um escândalo, quando as equipes tentavam negociar com a seguradora alemã Allianz a compra do nome do estádio, até que reportagens mostraram os laços da empresa com o nazismo na Segunda Guerra Mundial.
O estádio está entre os maiores do mundo: oficialmente, tem capacidade para receber 82,5 mil pessoas para jogos de futebol e futebol americano. Entre os estádios destacados para esta Copa, fica atrás apenas do Estádio Azteza (ou, para a Fifa, Estádio da Cidade do México), com capacidade oficial para 87 mil pessoas.
Ao todo, no final do Mundial, o estádio em Nova Jersey terá recebido oito jogos desta Copa, contando a final do domingo (19) entre Espanha e Argentina. Dois deles foram com o Brasil: no 13 de junho contra Marrocos e a disputa contra a Noruega no dia 5 deste mês, que eliminou a seleção brasileira.
O espaço também recebeu o Super Bowl em 2014, opondo o Seattle Seahawks e o Denver Broncos (com a melhor para o primeiro). E diversos shows, como de U2 e Rolling Stones.
A série de três shows da cantora Taylor Swift pela turnê The Eras em 2023 ali realizada totalizou 217,6 mil espectadores, tornando-se então a maior venda da história do estádio. A marca foi superada por Beyoncé no ano passado, quando se tornou a artista com maior volume de vendas do Metlife após uma série de 12 apresentações com mais de 600 mil fãs.
Agora, mais um capítulo está para entrar na história do MetLife, com a final da Copa do Mundo de 2026.
Autor: Folha








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