A denúncia feita pelo tenente Hélio sobre um possível uso indevido de dados de participantes da tradicional Prova Rústica Tiradentes, em Maringá, abriu uma frente de apuração que envolve suspeita de vazamento de informações pessoais, possível uso político de contatos e até a hipótese de fraude com utilização indevida do nome de um deputado estadual.
Realizada há décadas e considerada um dos principais eventos esportivos do Paraná, a corrida chegou à 49ª edição em 2026 com grande adesão popular. Mais de 8,2 mil pessoas se inscreveram rapidamente, dentro de um limite de 10 mil participantes. A prova é promovida pela Prefeitura de Maringá, por meio da Secretaria de Esporte e Lazer, em parceria com o 4º Batalhão da Polícia Militar, com largada prevista na Avenida Tiradentes, em frente à Catedral.
É justamente o alcance do evento que amplia o peso da denúncia. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o tenente Hélio afirma que participantes passaram a receber mensagens de cunho político após a inscrição. “Eu sou um cidadão, eu pago uma inscrição pra uma corrida de rua tradicional e, pelo que eu vejo, os meus dados foram vazados”, declarou.
Segundo ele, não houve autorização para uso dessas informações. “Pelo que eu conversei com os inscritos, não houve autorização para divulgação do nome, do CPF, do e-mail”, disse.
A suspeita levantada é de que dados fornecidos para participação na corrida — organizada com apoio de órgãos públicos — possam ter sido utilizados para envio de mensagens políticas, o que, se confirmado, pode configurar violação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Nos relatos reunidos, os contatos teriam sido feitos em nome do deputado estadual Delegado do Carmo. Hélio classificou o caso como potencialmente grave. “Acho que podemos estar diante de um grave caso de vazamento de dados”, afirmou.

Ele também apontou duas possibilidades para o episódio. “Ou nós estamos diante de um grave caso de vazamento de dados para politicagem suja e barata, ou então o deputado está sendo vítima de um grupo criminoso”, disse.
Em vídeo publicado nas redes sociais, a advogada, ex-procuradora municipal e ex-candidata à Prefeitura de Sarandi, Simone Martini, também criticou a possível utilização dos dados dos participantes para fins eleitorais. “A corrida de Tiradentes não pode ser confundida com a corrida eleitoral”, afirmou. Para ela, o episódio, se confirmado, representa uma quebra grave de confiança. “Privacidade não é mercadoria e a confiança do eleitor não se conquista invadindo o celular de quem só queria correr”, disse. Simone também defendeu apuração rápida e rigorosa. “Se os corredores já fizeram a parte deles na pista, quem tem que correr agora são as autoridades”, declarou, ao cobrar a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados e reforçar a necessidade de transparência no uso de informações por parte do poder público.
Diante da repercussão, o deputado se manifestou publicamente. Em vídeo, afirmou que já tomou providências legais. “Nós já vamos tomar as providências cabíveis, já registramos o boletim de ocorrência”, declarou.
Em sua fala, o parlamentar não afirma de forma direta se realizou ou não os disparos das mensagens. Ele sustenta que pode estar sendo vítima de uso indevido de seu nome. “Nós não vamos deixar manchar o trabalho que já fizemos”, afirmou.
O deputado também ressaltou sua relação com o evento. “Participo dessa prova há mais de 10 anos, direto ou indiretamente”, disse, ao prestar apoio à organização da corrida.
A resposta não encerra o caso e reposiciona a apuração em duas frentes. A primeira mantém a suspeita de vazamento de dados e eventual utilização dessas informações com finalidade política. A segunda aponta para a possibilidade de disparos realizados por terceiros, sem vínculo com o parlamentar, utilizando indevidamente sua identidade.
Outro elemento citado na denúncia chama atenção: a origem dos contatos. “Tem telefone com DDD de Maringá, de Curitiba e até da Argentina”, afirmou Hélio, sugerindo o possível uso de ferramentas automatizadas ou redes externas de disparo.
Até o momento, não há confirmação técnica sobre a origem dos dados utilizados nas mensagens, nem prova pública de ligação direta entre a base de inscritos da corrida e os disparos.
A apuração deve passar pela verificação de quem teve acesso às informações dos participantes, pela análise de eventuais empresas envolvidas na organização e pelo rastreamento técnico das mensagens enviadas.
Dependendo das conclusões, o caso pode ter desdobramentos nas esferas administrativa, civil e eleitoral.
Créditos: Redação
Autor: Agencia Paraná








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