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Endometriose: testes prometem diagnóstico sem cirurgia – 10/10/2026 – Equilíbrio e Saúde

Obter um diagnóstico de endometriose é notoriamente difícil.

Em média, leva de sete a nove anos, e muitas pacientes ouvem que sua dor excruciante é apenas uma cólica menstrual normal ou coisa da cabeça delas. Mesmo quando encontram um médico disposto a ajudar, muitas precisam passar por cirurgia para confirmar o diagnóstico, porque os exames de imagem não detectam a doença de forma confiável. Estima-se que a doença, na qual um tecido semelhante ao revestimento do útero cresce fora dele, afete pelo menos 1 em cada dez mulheres em idade reprodutiva.

Para muitas, um teste não invasivo confiável seria o santo graal. Agora, várias startups afirmam tê-lo encontrado e oferecem o diagnóstico de endometriose por meio da análise de moléculas de RNA na saliva, proteínas no sangue ou sinais elétricos no trato gastrointestinal.

“A premissa é boa, porque atualmente o padrão de atendimento é invasivo”, diz Ja Hyun Shin, especialista em cirurgia ginecológica da Weill Cornell Medicine.

Mas, até agora, segundo ela e outros especialistas, as evidências sobre os novos testes se limitam a estudos pequenos, com pacientes que talvez não sejam representativas da população em geral.

Katherine Burns, professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade de Cincinnati, que estuda endometriose e também tem a doença, diz entender a ansiedade das pacientes: ela sofreu por cerca de 10 anos sem diagnóstico e teria tentado qualquer coisa para obter respostas e alívio. “Mas uma das coisas que aprendi ao longo do caminho é que é preciso fazer perguntas”, afirmou.

Veja o que sabemos sobre os novos testes.

O que está sendo comercializado?

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, não aprovou nenhum teste não invasivo para endometriose. Mas várias empresas oferecem produtos “apenas para fins de pesquisa” ou por meio de uma brecha regulatória que a FDA tentou, sem sucesso, fechar.

Às vezes, a endometriose aparece em ressonâncias magnéticas ou ultrassonografias, mas muitas vezes isso não acontece. Assim, para muitas mulheres, a única forma de obter um diagnóstico definitivo é um cirurgião procurar lesões e realizar biópsias. A premissa dos novos testes é que eles podem detectar biomarcadores — isto é, alterações em fluidos ou funções do organismo — associados à doença.

Um deles, chamado Endotest, analisa a saliva em busca de um padrão de microRNAs, moléculas envolvidas na regulação dos genes. Outro, o EndoSure, mede a atividade elétrica gastrointestinal. Um terceiro, o EndomTest, procura duas proteínas no sangue. Cada teste é respaldado por pelo menos um estudo revisado por pares, conduzido ou financiado por seu fabricante.

Um quarto teste, da Xella Health, usa um algoritmo proprietário de inteligência artificial para analisar biomarcadores sanguíneos, sintomas e histórico médico e estimar o risco de endometriose, mas sua precisão não foi avaliada publicamente. A Xella também está desenvolvendo um teste com fluido menstrual, baseado, até o momento, em uma análise não publicada de 28 amostras — número insuficiente para tirar conclusões, considerando o quanto a endometriose pode variar de uma paciente para outra, segundo Stacey Missmer, professora de saúde da mulher da Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan.

Quais são as evidências?

Os estudos iniciais do Endotest e do EndoSure constataram que eles identificaram corretamente mais de 90% das pessoas com e sem endometriose. Mas os estudos tinham limitações, segundo muitos especialistas, entre elas o tamanho, os tipos de pacientes e o fato de terem sido financiados ou conduzidos pelos fabricantes dos produtos.

O principal estudo do Endotest envolveu 971 pacientes; o do EndoSure, 154. Nos dois casos, a maioria tinha endometriose. Os testes podem apresentar um desempenho enganosamente bom em populações de “alta prevalência” como essas, porque há poucas oportunidades de diagnosticar equivocadamente pessoas que têm outras condições, diz Tamer Seckin, cirurgião especializado em endometriose e fundador da Endometriosis Foundation of America.

Um estudo recente do Endotest realizado por pesquisadores independentes encontrou resultados menos expressivos, mas era pequeno e foi conduzido com uma população pouco representativa. Dois estudos pequenos realizados na Bélgica e no Brasil também analisaram o EndoSure, mas ainda não passaram por revisão por pares e incluíram tão poucas pessoas sem endometriose que os pesquisadores não conseguiram estimar de forma confiável a eficácia do teste para identificá-las corretamente.

A Ziwig, fabricante do Endotest, afirmou que estavam em andamento “estudos prospectivos em condições reais envolvendo até 25.000 mulheres”. Mark Noar, presidente-executivo do EndoSure, disse que a empresa também estava realizando estudos com populações mais amplas.

Muitos especialistas disseram considerar promissora a tecnologia de microRNA por trás do Endotest, embora ainda não esteja aperfeiçoada. Embora não haja muitos estudos sobre o Endotest, o potencial geral dos microRNAs como biomarcadores foi mais estudado.

As evidências sobre a tecnologia do EndoSure, que analisa sinais elétricos intestinais, são mais preliminares, segundo Seckin, Shin e Ted Lee, diretor de cirurgia ginecológica minimamente invasiva da NYU Langone Health.

Christine Metz, professora dos Feinstein Institutes for Medical Research, da Northwell Health, disse que o estudo inicial do EndoSure era promissor. Mas Metz observou que diversas doenças, medicamentos e outros fatores podem afetar a motilidade intestinal; por isso, são necessárias mais pesquisas para confirmar se os sinais medidos pelo EndoSure são específicos da endometriose.

Quanto ao EndomTest, a opção baseada em proteínas, um pequeno estudo realizado por seu desenvolvedor mostrou quase nenhum falso positivo, mas muitos falsos negativos: ele identificou apenas 46,2% das pessoas com endometriose. Andrew Levin, CEO da empresa que licenciou o teste, diz que outros estudos estavam em andamento. E, apesar da ausência de falsos positivos no estudo, o teste se baseia, em parte, em uma proteína cujos níveis aumentam em muitas doenças. A empresa afirma que a análise conjunta de duas proteínas torna o teste mais preciso, mas Seckin e Missmer se mostraram céticos.

O que vem a seguir?

É possível que um teste atualmente disponível no mercado — ou uma versão modificada dele — seja validado dentro de alguns anos.

“Considero essas iniciativas primeiros passos muito promissores”, diz Beyaz.

Enquanto isso, os especialistas enfatizaram que os médicos podem ter segurança de que muitas pacientes têm endometriose com base nos sintomas e no exame físico e tratá-las de acordo com essa avaliação. “Poderíamos fazer muito, muito melhor desde já se simplesmente ouvíssemos nossas pacientes”, diz Hugh Taylor, professor e chefe do Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Ciências Reprodutivas da Faculdade de Medicina de Yale, que estuda o microRNA como marcador de endometriose.

Os novos testes talvez sejam mais úteis para pacientes cujos sintomas são ambíguos, como aquelas com infertilidade sem causa aparente, mas sem dor, ou adolescentes com sintomas leves que possam ser sinais iniciais de endometriose.

Além do Endotest, um grande ensaio clínico está avaliando um exame de sangue de microRNA chamado DotEndo, baseado nas pesquisas de Taylor. Taylor integra o conselho consultivo científico da empresa. O ensaio foi elaborado em consulta com a FDA, disse Heather Bowerman, fundadora e CEO da DotLab, fabricante do teste. Se os resultados forem bons, afirmou ela, a DotLab poderá solicitar a aprovação da FDA já em 2027, embora ainda não tenha decidido qual caminho regulatório seguirá.

Ao mesmo tempo, novas descobertas ressaltam o quanto os pesquisadores talvez ainda desconheçam.

Um artigo recente da equipe de Taylor foi um dos primeiros a relatar que adolescentes com endometriose em estágio inicial podem apresentar marcadores de microRNA diferentes dos observados em adultas. Isso pode significar que sejam necessários testes diferentes, diz a autora principal, Alla Vash-Margita, professora associada de obstetrícia, ginecologia e ciências reprodutivas de Yale.

Taylor diz acreditar que “teremos métodos não invasivos de diagnóstico da endometriose em um futuro próximo”. Mas acrescenta: “É difícil saber se algum dos que estamos vendo agora será o melhor teste”.

Autor: Folha

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