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Episódio com a seleção de Portugal mostrou um Cristiano Ronaldo desconectado da realidade – 09/10/2026 – Marina Izidro

No documentário “Novak Djokovic – Lobo no Inverno”, lançado no streaming, um jornalista diz que só existem três maneiras de se aposentar no esporte: o jogo te aposenta –quando adversários passam a te derrotar; seu corpo o faz –você acorda um dia e ele diz que não aguenta mais; ou você sai no auge.

“A maioria dos jogadores precisa da primeira opção,” completa. O filme aborda a busca pelo 25º título de Grand Slam, que parece distante para o tenista de 39 anos.

Talvez o momento mais difícil para um atleta de alto nível seja a hora de parar. É duro encerrar a carreira quando ainda se tem uma vida pela frente. A adrenalina de competir é viciante, fora o amor à competição, idolatria dos fãs, fama e dinheiro que às vezes vêm junto. Mas, quando o narcisismo atropela o bom senso, o resultado é uma desconexão com a realidade. Caso de Cristiano Ronaldo.

Que o jogador de 41 anos tem um ego gigantesco não é surpresa. Mas, no último episódio com a seleção portuguesa, a atitude de menino mimado e a explicação dias depois o fizeram virar piada mundial. Até o primeiro-ministro de Portugal telefonou para o técnico Jorge Jesus para conversar sobre a crise.

Um post com quase 2.000 palavras publicado nesta semana pelo jogador nas redes sociais para seus 680 milhões de seguidores detalhando o ocorrido teve um tom que surpreendeu pela arrogância.

Segundo Ronaldo, havia um acordo verbal com Jesus de que ele não começaria jogando a partida contra a Noruega dias atrás. Na véspera, o treinador perguntou se ele estaria pronto para entrar caso fosse necessário. No início do segundo tempo, começou a aquecer, mas Jesus não o colocou em campo na vitória de Portugal por 2 a 1.

CR7 disse que tiveram uma conversa que então gerou um documento com oito tópicos, “validado” por Ronaldo, que deveria ser lido por Jesus na entrevista coletiva antes da partida seguinte. O treinador deveria dizer que cometeu “um erro botando alguém da estatura de Pelé ou Maradona para aquecer e não o colocar para jogar” e que “ele é o jogador que mais dá autógrafos, tira mais selfies, demonstra mais afeição com os torcedores.”

Não falou. O astro entrou em seu jatinho e deixou a concentração.

Ronaldo publicou o comunicado na terça-feira (6), mesmo dia em que Lionel Messi fez sua última partida pela seleção argentina. Se foi ou não proposital para roubar os holofotes do rival, fica aberto à interpretação. Messi marcou um gol e disse que “deu tudo o que tinha e que há jogadores jovens que merecem espaço.” Soube a hora de sair de cena.

Cristiano Ronaldo é um gênio do futebol? Sim. Deu bom exemplo dentro e fora de campo? Quase sempre. Merece ser admirado e servir de inspiração pelo que representa e conquistou? Sem dúvidas. Mas tem o direito de ser um ego ambulante e exigir que um treinador peça desculpas publicamente, o equiparando a Pelé e Maradona? De jeito nenhum.

Não seria exagero não convocá-lo mais e que esta fosse sua última aparição pública com a seleção. Mas, como há muitos interesses em jogo, a busca pelos mil gols, não duvido que esteja na lista de Jorge Jesus para a data Fifa de novembro e, depois, planeje uma despedida com pompa e circunstância.

Se quiser, vai seguir jogando em uma equipe que parece bem sem ele.


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Autor: Folha

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