
O governo do Equador decretou um novo estado de exceção por 60 dias em oito províncias e três municípios do país para ampliar as operações militares e policiais contra organizações criminosas. A medida, assinada pelo presidente Daniel Noboa nesta terça-feira (15), também estabelece toque de recolher noturno em quatro das regiões mais atingidas pela violência.
O estado de exceção alcança as províncias de El Oro, Esmeraldas, Guayas, Los Ríos, Manabí, Pichincha, Santa Elena e Santo Domingo de los Tsáchilas. Também estão incluídos os municípios de Camilo Ponce Enríquez, em Azuay; Las Naves, em Bolívar; e La Maná, em Cotopaxi.
Já o toque de recolher terá alcance menor. A circulação ficará proibida entre meia-noite e 5h nas províncias de Guayas, Manabí, Los Ríos e El Oro, de quinta-feira (17) até 30 de setembro. Cidades como Guayaquil, Manta e Machala estão entre as áreas submetidas à restrição.
Profissionais de saúde, integrantes das forças de segurança e equipes responsáveis por emergências, gestão de riscos e desastres estão entre os grupos autorizados a circular durante o período de restrição.
O Decreto Executivo 498 justifica as medidas pela situação de “grave comoção interna” provocada pela atuação de organizações criminosas. Informes utilizados pelo governo apontam grupos capazes de se fragmentar, reorganizar suas estruturas e expandir suas operações para diferentes regiões, além de controlar rotas e atividades ligadas a economias ilegais.
Durante os 60 dias, as Forças Armadas poderão atuar ao lado da Polícia Nacional para ampliar operações, patrulhamento e ações contra grupos criminosos. O decreto também suspende temporariamente, nas regiões atingidas, garantias relacionadas à inviolabilidade de domicílio e de correspondência, o que amplia a capacidade das forças de segurança de realizar intervenções e investigações dentro dos limites previstos pela medida.
O governo também autorizou a requisição temporária de bens e serviços considerados necessários às operações das forças de segurança. Segundo o decreto, o objetivo é “restabelecer e manter a ordem pública”, fortalecer a segurança interna e neutralizar atividades criminosas e violentas.
O Equador atravessa uma crise de segurança alimentada principalmente pela disputa entre organizações ligadas ao narcotráfico e ao controle de rotas internacionais de drogas. Em 2025, o país registrou 9.216 homicídios intencionais, o maior número de sua série histórica.
Os números apresentaram alguma redução no início deste ano, mas a violência voltou a ganhar força em determinadas regiões. Entre janeiro e julho de 2026, foram registrados 4.882 homicídios, contra 5.295 no mesmo período do ano anterior. Apesar da queda no acumulado, junho e julho tiveram mais mortes violentas do que os mesmos meses de 2025, e 79 cidades registraram aumento dos homicídios.
As quatro províncias submetidas ao novo toque de recolher estão justamente entre os principais focos da violência. Dados de janeiro mostram que Guayas concentrou mais de 44% dos homicídios registrados naquele mês no país, seguida por Manabí, Los Ríos e El Oro.
Noboa vem recorrendo aos militares e a estados de exceção desde que o governo equatoriano declarou, em 2024, a existência de um conflito armado interno contra organizações criminosas. O novo decreto mantém essa estratégia e prevê operações intensificadas durante a madrugada, período que o governo considera estratégico para atingir estruturas ligadas ao narcotráfico, assassinatos e outras atividades ilegais.
Autor: Gazeta do Povo








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