
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) argumentou na investigação comercial sobre trabalho forçado que o Brasil praticou “concorrência desleal” ao exportar carne bovina nos últimos anos, especialmente para a China.
No relatório, o governo americano afirma que “é fato notório” que o trabalho forçado é utilizado na produção de gado no Brasil, um dos principais exportadores de carne bovina congelada no mundo.
“Durante o período de 2015 a 2025, o volume de exportações de carne bovina congelada do Brasil para as economias investigadas quase dobrou, em comparação com um aumento de 21% nas exportações de carne bovina congelada dos EUA em volume”, diz o documento divulgado nesta terça-feira (2), com o qual a Casa Branca avalia impor uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros e de diversos outros países.
De acordo com os dados do USTR, as exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China aumentaram mais de 17 vezes, passando de 94 mil toneladas métricas em 2015 para quase 1.650 mil toneladas métricas em 2025, em volume.
“As exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China superaram em muito as exportações americanas de carne bovina congelada para a China, que têm apresentado uma tendência de queda nos últimos anos”, destaca o relatório.
O governo americano pontuou ainda que, embora nem todas as importações chinesas de carne bovina congelada do Brasil sejam necessariamente produzidas com trabalho forçado, a prevalência do trabalho forçado na produção de carne bovina no Brasil “sugere fortemente que pelo menos algumas das importações chinesas foram produzidas total ou parcialmente com trabalho forçado”.
Os EUA apontam uma negligência da China em restringir a entrada de importações de mercadorias brasileiras, apesar dos apontamentos sobre a possibilidade de uso de trabalho forçado na produção de gado. Isso, segundo o governo de Donald Trump, conferiu uma vantagem de custo à carne bovina brasileira e “distorceu” a concorrência com os americanos.
“Embora outros fatores, como o tamanho do rebanho bovino dos EUA, também possam ter influenciado a competição entre a carne bovina dos EUA e do Brasil, mesmo com uma proibição de importação baseada em trabalho forçado, os EUA provavelmente teriam experimentado maiores vendas, receitas e exportações de carne bovina para a China, mantendo-se todas as outras variáveis constantes”, concluiu a USTR na investigação.
O novo relatório surge após a recomendação, na segunda-feira (1º), de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros com base na Seção 301, na qual o governo americano acusou o Brasil de adotar políticas e práticas que prejudicam o comércio americano (acesse o relatório completo aqui).
Autor: Gazeta do Povo








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