terça-feira, setembro 29, 2026
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Governo Lula empurra polêmica da tilápia para depois das eleições

No calor da campanha eleitoral, o governo Lula fugiu de um novo desgaste com o setor produtivo agropecuário e preferiu não decidir nada sobre a classificação da tilápia como espécie invasora. O prazo de 90 dias dado para o grupo de trabalho da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) revisar a classificação terminou dia 26, mas, três dias antes, o governo prorrogou as análises por mais 180 dias.

Em nota enviada à Gazeta do Povo, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) disse que a Resolução Conabio nº 16, de 28 de maio de 2026, previu os 90 dias e que, “diante da impossibilidade de conclusão dos trabalhos nesse período”, a comissão aprovou a extensão na 24ª Reunião Extraordinária. Não foi apresentada justificativa para a suposta impossibilidade da conclusão dos trabalhos.

O grupo de trabalho discute “critérios técnicos” que podem enquadrar como invasoras e exóticas não somente a tilápia, mas também árvores como pinus e eucalipto e frutas como goiaba, manga e jaca. Segundo o ministério, a inclusão de uma espécie na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras tem caráter técnico e preventivo. E “não implica, de forma automática, banimento, proibição de uso ou de cultivo”.

Setor produtivo se queixa de viés ideológico da Conabio

Para o setor produtivo, contudo, o adiamento não resolve o problema, apenas prolonga a insegurança. A queixa é que o alinhamento ideológico de partes do governo com o bloco socioambiental (ONGs, universidades, movimentos sociais, povos indígenas e comunidades tradicionais) criou uma maioria confortável para aprovar propostas polêmicas que afetem espécies de interesse produtivo, à revelia do impacto econômico.