Provavelmente nenhum outro esporte viveu uma expansão internacional tão rápida nos últimos anos quanto o Hyrox. O que começou como uma ideia em 2017 virou, em poucos anos, um dos movimentos de fitness que mais crescem no mundo, inclusive no Brasil. A modalidade já está presente em mais de 85 cidades distribuídas por cerca de 30 países.
O formato foi desenvolvido pelo organizador de eventos Christian Toetzke, pelo especialista em comunicação Michael Trautmann e por Moritz Fürste, ex-jogador da seleção alemã de hóquei sobre grama, bicampeão olímpico nos Jogos de Pequim, em 2008, e de Londres, em 2012.
A proposta inicial era simples: criar uma competição que combinasse a atmosfera de uma corrida de rua com a intensidade do treinamento funcional praticado por muitas pessoas nas academias. O Hyrox consiste em oito estações de exercícios funcionais intercaladas por oito corridas de um quilômetro.
“As pessoas gostam de se desafiar ou competir com os outros, participar de uma disputa e enfrentar seus próprios limites”, disse Fürste à DW. De certa forma, muitos já faziam isso. O Hyrox apenas transformou essa prática em um formato competitivo padronizado.
Novo objetivo na academia
Para desenvolver o conceito, os fundadores analisaram o cenário esportivo global e concluíram que havia uma lacuna entre os esportes já estabelecidos.
“A maioria dos esportes, como tênis, futebol ou esportes com bola em geral, é claramente definida”, explicou Fürste. “Eles existem há centenas de anos. Mas a única área do universo esportivo que nunca foi realmente definida foi a das academias. Queríamos dar a essas pessoas um objetivo para treinar, além de apenas manter a saúde ou ter uma boa aparência diante do espelho.”
O Hyrox não é a única iniciativa que procura transformar a rotina das academias em competição. Seu concorrente mais conhecido é o Crossfit, criado em 2007. Diferentemente do Hyrox, o crossfit muda diariamente as provas e inclui elementos como levantamento de peso olímpico e ginástica.
Já o Hyrox mantém sempre o mesmo formato, privilegiando o desenvolvimento da chamada aptidão funcional. Uma modalidade semelhante é a DEKA Fit, embora sua expansão global seja mais limitada pela concentração em academias afiliadas nos Estados Unidos.
Para Fürste, o maior indicador de sucesso é a reação dos participantes ao final das provas. “Ninguém cruza a linha de chegada com energia sobrando. Todos terminam completamente exaustos. Mas todos já começam a pensar em ser mais rápidos na próxima vez.”
O formato padronizado permite comparar resultados em qualquer lugar do mundo, seja em Hamburgo, Londres, Nova York ou Sydney. Como consequência, o interesse pela modalidade cresceu nos últimos anos.
Em entrevista concedida à revista Sports Illustrated em 2025, Fürste disse que pretende incluir o Hyrox no programa olímpico dos Jogos de Brisbane, em 2032, levando a competição de fitness para o maior palco esportivo do mundo, segundo relatou à revista esportiva.
Ele apontou dois momentos decisivos para o desenvolvimento do Hyrox. O primeiro ocorreu quando 650 participantes compareceram ao evento inaugural.
O segundo marco ocorreu em 2022, após a pandemia de Covid-19, quando uma etapa realizada em Londres teve todos os ingressos esgotados. Naquele momento, segundo ele, ficou claro que a modalidade tinha potencial para crescer em grande escala.
Na temporada 2022/23, cerca de 90 mil atletas participaram das competições de Hyrox. Em 2025, esse número já havia ultrapassado 650 mil. Há 1 milhão de atletas previstos para competir nesta temporada.
Autor: Folha








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