João Fonseca fez história. O carioca de 19 anos derrotou o sérvio Novak Djokovic, quarto do mundo e tricampeão de Roland Garros, nesta sexta-feira (29), pelo placar de 4/6, 4/6, 6/3, 7/5 e 7/5, numa partida de quase cinco horas na quadra Philippe-Chatrier —a central e mais importante de Roland Garros. Foi a maior vitória da carreira do brasileiro e uma das performances mais marcantes de um jovem tenista neste Grand Slam em anos.
Com o resultado, Fonseca se consolida definitivamente entre os grandes nomes do tênis mundial. Aos 19 anos, já duelou nesta temporada com três dos mais importantes jogadores do circuito —Carlos Alcaraz, Jannik Sinner e agora Djokovic— e mostrou, num estágio em que a maioria dos tenistas ainda está aprendendo a sobreviver no circuito, que é capaz de fazer jogos parelhos contra os melhores do mundo nos momentos mais exigentes.
Na próxima rodada, o brasileiro enfrentará o americano Tommy Paul (21º) ou o norueguês Casper Ruud (16º) —os dois jogam neste momento.
“É um prazer só de pisar na quadra contra ele. Estou muito feliz”, afirmou Fonseca ainda na quadra após a vitória. Foi a segunda vitória seguida do brasileiro após sair perdendo os dois primeiros sets. Na rodada anterior, também virou contra o croata Dino Prizmic, 72º do mundo.
“Só estava tentando bater na bola o mais rápido que eu conseguia. O Djokovic simplesmente não erra. Eu acho que no final da partida ele estava mais em forma do que eu. É uma loucura”, afirmou o brasileiro a respeito do sérvio 20 anos mais velho.
O jogo começou desfavorável ao brasileiro nesta sexta. Fonseca perdeu o serviço logo no primeiro game, com erros não forçados que traíam a tensão de estrear na Philippe-Chatrier num confronto desta magnitude. O primeiro saque não entrava, e Djokovic, agressivo desde o início, aproveitou as hesitações do brasileiro para abrir 4/1 no primeiro set. Mas Fonseca foi se soltando. Elevou o nível, melhorou o primeiro serviço e, num dos melhores games do jogo, chegou a quebrar o serviço do sérvio, reduzindo para 5/3 antes de ceder o set por 6/4.
O segundo set seguiu o mesmo roteiro —Djokovic quebrando o serviço de Fonseca no momento decisivo, Fonseca respondendo, mas não o suficiente para virar. No quarto game, os dois protagonizaram um dos pontos mais disputados da partida, numa troca de golpes de alto nível que deixou a plateia de pé. O sérvio fechou em 6/4. Com dois sets de vantagem, Djokovic parecia encaminhado para uma vitória tranquila.
Mas o tênis não funciona assim quando Fonseca está em quadra. A virada começou no terceiro set. O brasileiro abriu 3/0, aproveitou os primeiros sinais de cansaço de Djokovic —que, aos 38 anos e sob 31°C na quadra sem sombra, começou a mostrar desgaste físico— e fechou a parcial em 6/3, reacendendo as esperanças de uma virada histórica. A Philippe-Chatrier, lotada com maioria brasileira, vibrou como se fosse uma arena de futebol. O grito de “Joãããão Fonseca” ecoou pela quadra central de Roland Garros como nunca antes.
No quarto set, os dois alternaram quebras e reações num jogo cada vez mais cauteloso, com ambos gerenciando o desgaste físico acumulado ao longo de mais de três horas. Fonseca salvou dois break points cruciais no 7º game, manteve-se vivo e fechou a parcial em 7/5, empatando o confronto em 2/2. A virada, que parecia impossível quando Djokovic liderava por dois sets, estava ao alcance.
No quinto set decisivo, Djokovic tentou retomar o controle. Quebrou o serviço de Fonseca e abriu 3/1, parecendo pronto para encerrar o confronto com a frieza de sempre. Mas desta vez foi diferente. Fonseca resistiu, recuperou a quebra, voltou a elevar o nível e, quando mais importava, encontrou os golpes certos nos momentos certos. Fechou o set e o jogo entre explosões de alegria da torcida brasileira.
Foi uma vitória construída em quatro horas de tênis de altíssimo nível, com Fonseca mostrando a evolução que vem acumulando ao longo desta temporada —mais sólido no saque, mais paciente no saibro, mais estável emocionalmente. Contra Djokovic, numa das maiores quadras do tênis mundial, o brasileiro provou que não é apenas uma promessa. É realidade.
DUELOS DE JOÃO FONSECA CONTRA TOP10
- Andrei Rublev (9º) Primeira rodada do Australian Open (14.jan.25) / Vitória por 3 sets a 0
- Jack Draper (5º) Terceira rodada de Roland Garros (31.mai.25) / Derrota por 3 sets a 0
- Taylor Fritz (5º) Segunda rodada do ATP 250 de Eastbourne (26.jun.25) / Derrota por 2 sets a 1
- Jannik Sinner (2º) Oitavas de final do Masters 1000 de Indian Wells (11.mar.26) / Derrota por 2 sets a 0
- Carlos Alcaraz (1º) Segunda rodada do Masters 1000 de Miami (20.mar.26) / Derrota por 2 sets a 0
- Alexander Zverev (3º) Quartas de final do Masters 1000 de Monte Carlo (10.abr.26) / Derrota por 2 sets a 1
- Ben Shelton (6º) Quartas de final do ATP 500 de Munique (17.abr.26) / Derrota por 2 sets a 1
- Novak Djokovic (4º) Terceira rodada de Roland Garros (29.mai.26) / Vitória por 3 sets a 2
Autor: Folha








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