
O juiz federal Richard Stearns, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Massachusetts, decidiu nesta quinta-feira (13) rejeitar uma ação apresentada pelo governo do presidente Donald Trump contra a Universidade Harvard por suposta omissão diante de episódios de antissemitismo e discriminação contra estudantes judeus e israelenses no campus da instituição.
A ação havia sido protocolada em março e acusava Harvard de violar a legislação federal de direitos civis ao permitir um ambiente hostil a judeus e israelenses. Nela, o governo argumentava que professores e dirigentes da universidade teriam “fechado os olhos” para casos de antissemitismo registrados principalmente durante os protestos relacionados à guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas.
Stearns concluiu que o governo não conseguiu demonstrar de forma plausível que Harvard violou o Título VI da Lei dos Direitos Civis de 1964, que proíbe discriminação com base em raça, cor ou origem nacional em instituições e programas que recebem recursos federais.
Entre os episódios apresentados na ação estavam denúncias de estudantes judeus que teriam sido perseguidos, hostilizados ou intimidados dentro de Harvard. O governo citou, entre outros casos, um aluno que teria sido cuspido por usar um quipá e estudantes que teriam ouvido provocações com referências ao ditador nazista Adolf Hitler.
O processo faz parte da disputa entre a Casa Branca e Harvard envolvendo financiamento federal, políticas universitárias e a resposta da instituição às denúncias de antissemitismo. Segundo a emissora CNN, o governo Trump buscava, com o processo, interromper US$ 2,6 bilhões em subsídios federais à Harvard e obrigar a instituição a devolver milhões de dólares já recebidos. O governo Trump afirma que não deveria continuar destinando recursos públicos a uma instituição que, segundo suas acusações, possui um ambiente discriminatório.
O Departamento de Justiça informou que discorda da decisão desta quinta. Harmeet Dhillon, procuradora-geral assistente responsável pela Divisão de Direitos Civis, afirmou que o governo está avaliando quais serão os próximos passos e destacou que a pasta mantém investigações e ações de combate ao antissemitismo em todo o país.
Harvard reconheceu falhas no combate ao antissemitismo
Harvard vinha contestando a ação e argumentava que o processo fazia parte de uma tentativa do governo de pressionar a instituição em meio às disputas entre a Casa Branca e universidades de elite.
Ao mesmo tempo, a própria universidade já reconheceu que falhou no passado em responder adequadamente a episódios de antissemitismo. Conforme a CNN, Harvard afirmou ter promovido esforços em toda a instituição para identificar e enfrentar o problema, incluindo a criação de uma força-tarefa que produziu um relatório de cerca de 300 páginas sobre antissemitismo e preconceito contra Israel no campus.
Autor: Gazeta do Povo








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