Uma esmeralda de 142 quilos encontrada na Serra da Carnaíba, na Bahia, vai a leilão no próximo mês com lance inicial de R$ 79,8 milhões. Batizada de Selena, a pedra é classificada por gemólogos como “raridade absoluta” — um conglomerado de berilo verde que preserva sua formação geológica original.
O gemólogo e perito da Bid Leilão, Cesar Augusto Maia, classifica o material como um “testemunho geológico” singular e destaca sua raridade. “Selena reúne características geológicas, dimensão e integridade que a colocam em um patamar único no mundo. Não é apenas um ativo mineral, é uma peça de valor científico, histórico e colecionável.”
E esta é apenas a ponta de um mercado bilionário: nos últimos meses, esmeraldas gigantes brasileiras foram avaliadas em até R$ 2 bilhões, com leilões movimentando centenas de milhões e compradores árabes, europeus e chineses disputando exemplares únicos extraídos do solo nacional.
A valorização reflete um momento específico do setor: esmeraldas baianas de grande porte viraram ativos de investimento internacional, com exemplares de 69 quilos arrematados por R$ 50 milhões (grupo árabe) e uma peça de 137 quilos leiloada pela Receita Federal por R$ 175 milhões. Apenas em exportações de gemas, o Brasil movimentou US$ 18 milhões no primeiro trimestre de 2026 — e o mercado interno, dominado por leilões de pedras brutas, multiplica esse valor várias vezes.
A pedra da Serra da Carnaíba prestes a ser leiloada mede 94 centímetros de largura, 67 de altura e 28 de profundidade. A descrição no site do leilão informa: “canga de esmeralda, conglomerado composto de berilo e xisto, apresentando um corpo horizontal de xisto salpicado com cristais hexagonais de berilo, esmeraldas, bem preservados”.
Leilões de esmeraldas gigantes reúnem pedras avaliadas em bilhões
De acordo com o Instituto Brasileiro Gemas e Metais Preciosos (IBGM), a Bahia é referência brasileira em produção de esmeraldas de grande porte, geralmente comercializados por meio de leilões. Em dezembro do ano passado, um leilão em Salvador ofertou uma esmeralda de 69 quilos com lance inicial de R$ 100 milhões. Avaliada em cerca de R$ 1,15 bilhão, a canga de esmeralda teve origem em Pindobaçu, região norte do estado.
O edital informava que a pedra de coloração verde-musgo não possuía lapidação. De acordo com a advogada responsável pelo leilão, Cláudia Medrado, não houve lance no valor mínimo e o item acabou arrematado por R$ 50 milhões, por um grupo árabe.
Em agosto do ano passado, uma canga de esmeralda com 241 quilos surgiu na Serra da Carnaíba. A pedra recebeu avaliação de R$ 2 bilhões e entrou em leilão com lance mínimo fixado em R$ 105 milhões. De acordo com a Positivo Leilões, o item não teve arremate e o proprietário retirou a peça da plataforma de vendas.

Em 2024, uma pedra de 137 quilos com fragmentos de esmeralda verde incrustados encontrada na Mina Carnaíba, em Pindobaçu, seguiu para leilão da Receita Federal. O lote alcançou arremate de R$ 175 milhões, após lance mínimo de R$ 115 milhões. A peça tinha 60 centímetros de altura, 20 centímetros de largura e 20 centímetros de profundidade.
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Pedras preciosas brasileiras impulsionam exportações do setor de joias
Além de leilões, as pedras preciosas brasileiras marcam presença no mercado internacional, tendo movimentado US$ 18 milhões nos três primeiros meses de 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
“Além do apelo estético, como o brilho e a diversidade cromática, muitas dessas pedras são exclusividades brasileiras, o que as torna ainda mais valiosas para joalherias de luxo, designers internacionais e colecionadores”, afirma Murilo Graciano, especialista em gemas e presidente do Sindijoias Ajomig, entidade que atua no setor de joias e bijuterias.
As gemas também atendem setores como decoração, colecionismo e esoterismo. “A diversidade mineral brasileira é tamanha que algumas pedras só podem ser encontradas em território nacional, o que reforça o diferencial competitivo do país”, completa Graciano.
Topázio imperial, turmalina paraíba e esmeraldas destacam mercado de gema
Entre os destaques no mercado externo, segundo o Instituto Brasileiro Gemas e Metais Preciosos, estão as esmeraldas, o topázio e a turmalina paraíba. A maior incidência no Brasil está em Minas Gerais, nas regiões de Itabira e Nova Era, e em Goiás, em Campos Verdes. Também há destaque para a Bahia, nas áreas de Carnaíba e Socotó.
Dados do IBGM indicam que apenas o município de Campos Verdes produz entre 800 e 1 mil quilos de esmeraldas por mês. Em relação ao topázio imperial, a principal ocorrência é em Ouro Preto (MG), com cores variando entre amarelo, laranja, rosa, lilás e o raro vermelho-cereja, tonalidade valorizada por compradores internacionais.

Por sua vez, a turmalina paraíba, considerada uma das mais raras do mundo, tem extração no norte da Paraíba e figura entre as gemas mais demandadas no exterior, segundo o IBGM. A presença de cobre e manganês na composição emite o tom azul-turquesa característico, fator que amplia seu valor no mercado global.
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Exposol movimenta setor de pedras preciosas com presença internacional
Soledade, no Rio Grande do Sul, reúne cerca de 300 empresas ligadas ao setor de joias com pedras preciosas. São 3 mil empregos gerados no segmento. Até 3 de maio, o município sedia a feira Exposol, evento com mais de uma centena de expositores que apresenta gemas destinadas à produção de joias e à comercialização de peças, com presença de empresas que atuam desde a extração até a lapidação e venda.
A programação inclui atividades voltadas ao mercado e à negociação entre fornecedores e compradores. De acordo com os organizadores, empresários da Argentina, Uruguai, Chile, Peru e outros países da América do Sul participam do evento. Representantes dos mercados europeu, norte-americano e chinês também integram a feira.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Joalheria, Mineração, Beneficiamento e Transformação de Pedras Preciosas e Semipreciosas do Estado do Rio Grande do Sul (Sindipedras), Gilberto Bortoluzzi, afirma que o setor vive um momento de retomada, com destaque para as exportações. Após um período de dificuldades ligado a tarifas e instabilidades globais, o mercado externo apresenta sinais de recuperação.
“Os Estados Unidos são um mercado extremamente importante para nós, assim como a China. Houve uma retomada com a redução de tarifas, mas o cenário ainda é de cautela. Questões como conflitos internacionais, inflação e instabilidade econômica afetam diretamente os negócios”, pontua ele.
Segundo Bortoluzzi, o setor exportador, que responde por 65% a 75% da produção nacional, ainda sofre impactos da oscilação do dólar e da queda nos preços de commodities, embora registre recuperação gradual e perspectivas mais positivas em relação ao ano anterior.
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