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Noah: bebê tem alta após ser dado como morto em SP – 14/08/2026 – Equilíbrio e Saúde

O bebê Noah Gabriel da Cruz Santos, dado como morto por três horas antes de retomar os sinais vitais no interior de São Paulo, recebeu alta nesta quinta-feira (13). A notícia foi confirmada pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) de Bauru, onde o recém-nascido estava internado desde 17 de julho após transferência da Santa Casa de Rio Claro.

A família também divulgou a alta nas redes sociais: “Depois de tantos dias de luta, orações e milagres, hoje nosso pequeno Noah finalmente está em casa!”. O bebê segue com uma sonda e, no perfil oficial, amigos da família começaram uma campanha para arrecadar recursos para que os pais possam cobrir despesas de hospedagem, alimentação e transporte ao longo do tratamento orofacial do recém-nascido —a criança nasceu com uma malformação do palato e seguirá em tratamento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) no “Centrinho” do HC-Bauru.

Em nota, o hospital comunicou que “por respeito ao sigilo médico e à privacidade do paciente, não fornecerá informações de caráter assistencial ou pessoal”, sem confirmar se há possibilidade de auxílio público para as despesas da família.

Fenômeno de Lázaro

Segundo a médica pediatra Priscilla Meirelles, docente do curso de Medicina da Faculdade Santa Marcelina, o quadro de Noah ainda não tem confirmação científica, mas é similar ao que é conhecido na ciência como “fenômeno de Lázaro”.

“Fazendo o levantamento na literatura, encontramos menos de 10 casos desses em bebês em 40 anos de história da medicina”, conta Meirelles. A pediatra também destaca a raridade do caso de Noah devido ao tempo do quadro, pois a maioria dos pacientes ressuscita de 10 a 15 minutos seguidos ao atestado de óbito ou de ter cumprido todas as medidas necessárias para se declarar um óbito.

“É extremamente raro um bebê ressuscitar após ter ficado 3 horas em parada cardiorrespiratória [PCR]”, avalia a médica.

O fenômeno de Lázaro se caracteriza quando um indivíduo demora muito a responder à adrenalina, utilizada para reanimação. “A medicação fica ali no organismo e demora muito para fazer efeito. É uma particularidade de algumas pessoas, não é comum acontecer”, afirma Meirelles.

No caso de Noah, o quadro clínico pode ter dificultado a ausculta. “Não podemos deixar de considerar que o Noah nasceu com uma malformação também, o palato, que também prejudica muito a respiração”, diz a docente.

O que determina a morte pediátrica

Os parâmetros para declaração de óbito incluem falta de resposta neurológica à presença de luz, queda de temperatura corporal e frequência cardíaca zerada. Se a criança não tem batimento cardíaco ou pulso, está sem respiração e a pupila fica dilatada (não responsiva), a ação imediata dos socorristas é fazer ao menos 40 minutos de ressuscitação antes de confirmar a morte.

Na sequência, a criança deve permanecer pelo menos 20 a 30 minutos na unidade de terapia intensiva sob monitoramento.

“O ideal é que eles sejam checados através do exame físico convencional, que é colocar um estetoscópio e auscultar o coração; observar a frequência respiratória através dos monitores. Só então posso liberar o corpo dessa criança para o necrotério”, diz a pediatra.

Pediatras de UTI passam por treinamentos específicos para estas situações. A ausculta não pode detectar nenhuma batida do coração. “No caso do Noah, segundo todas as informações que foram colhidas até o momento e relatos também da família, tudo isso foi realizado”.

O pai teria ficado quase uma hora com a criança no colo. “Ele relata que chegou a ficar com o corpinho frio, chegou a ficar com a musculatura mais rígida, que são sinais tardios de óbito. Foi realizado esse tempo com uma segurança e o bebê, muito provavelmente, ficou no necrotério em torno de umas 2 horas”, diz Meirelles.

O menino pode ter voltado a respirar mesmo antes que a funcionária tenha percebido a movimentação dele no invólucro. O quadro do garoto, que antes não conseguia respirar sequer sem aparelhos, é chamado de milagre pelos familiares e ainda é um mistério para a ciência.

“Infelizmente, não dá para saber que horas ele voltou a respirar. E ele também não entra exatamente no fenômeno de Lázaro, não tem como classificá-lo. Nós não encontramos ainda nenhuma explicação para o caso desse paciente. Eu fiz um levantamento na literatura e não encontrei nenhuma explicação para esse caso até o momento”, analisa Meirelles.

Entenda o caso

Noah nasceu no dia 15 de julho na Santa Casa de Rio Claro, onde aguardava na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal por uma cirurgia especializada, fora da cidade. Em nota à imprensa, a entidade declarou que, no mesmo dia, o menino “apresentou uma piora clínica, evoluindo para uma parada cardiorrespiratória.”

A equipe teria conduzido imediatamente “todas as manobras de reanimação cardiopulmonar” por “aproximadamente 45 minutos, em estrita conformidade com os protocolos da Sociedade Brasileira de Pediatria”, mas o paciente “evoluiu a óbito no final da tarde.”

Após cerca de três horas do laudo, a agente funerária da Santa Casa, Regina Célia Paschoal, percebeu uma movimentação e sons no saco funerário e o encontrou reanimado.

No dia 17 de julho, o menino foi para o HC de Bauru e, no último dia 31, passou a respirar sem aparelhos, de onde recebeu alta aos 29 dias de vida.

Autor: Folha

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