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O que as redes sociais fizeram você acreditar que tem – 16/04/2026 – Equilíbrio

Não importa o quanto você esteja em paz com a sua própria vida e o seu corpo. É só abrir o feed que surgem preocupações inéditas, desejos que não eram seus, inseguranças até então desconhecidas. E aquela sensação de que todo mundo anda viajando mais, lendo mais, ganhando mais, treinando mais. Mas quais dessas inquietações são reais e quais foram sendo cultivadas pela exposição contínua a recortes da vida alheia e expectativas difíceis de sustentar no mundo real?

Consumo desenfreado

De acordo com a pesquisa E-commerce Trends 2026, da Octadesk com a Opinion Box, 71% das pessoas afirmam já ter comprado algo após ver anúncios nas redes, e 42% compraram por indicação de criadores de conteúdo. Entre vídeos virais, narrativas que vendem produtos como estilo de vida e softwares que propiciam cada vez mais o consumo por impulso, produtos banais se transformam em necessidades urgentes.

É verdade que comprar com apenas alguns cliques pode facilitar muito a nossa rotina. Mas, antes de digitar o código de segurança do cartão, vale se perguntar: isso é necessidade ou empolgação momentânea? Uma boa ideia é deixar o item no carrinho por, pelo menos, uma semana. Se ainda fizer sentido depois disso, ótimo. Se não, é só esvaziá-lo e seguir a vida.

Nova insegurança desbloqueada

Antes da popularização dos smartphones, víamos nossa própria imagem no espelho algumas vezes por dia. Hoje, isso acontece o tempo todo: em selfies, stories e reuniões online. Essa superexposição pode até ampliar o autoconhecimento e a autoconsciência, mas também tende a intensificar a autocrítica e a fixação na aparência física.

Publicada recentemente, a pesquisa Tudo no Seu Tempo, realizada pela marca de beleza État Pur em parceria com o Instituto Plano de Menina, afirma que 93% das jovens brasileiras entre 18 e 24 anos já tiveram vontade de fazer algum procedimento estético ou cirurgia plástica. Em grande parte, devido à pressão estética catalisada pela comparação nas redes sociais.

Às vezes, basta um vídeo aleatório tratar algo absolutamente natural como um problema —a exemplo das tão faladas entradinhas naturais do quadril (os hip dips), ou da falta de simetria do rosto revelada por algum filtro— para que surja uma nova insegurança. E, com ela, a busca por um procedimento ou promessa de “correção”. Mas será mesmo que a posição dos seus olhos ou o tamanho do seu nariz deveriam importar tanto assim?

Sempre acessível

Outra angústia que a Internet consolidou é a da disponibilidade constante. Se você visualiza e demora para responder, o gesto pode ser lido como falta de afeto e até descaso. Aos poucos, internalizamos a ideia de que é preciso estar sempre acessível. Diversos estudos sobre comunicação mediada por tecnologia mostram que as redes sociais e aplicativos de mensagem reforçam expectativas de retorno imediato, como se o nosso tempo estivesse permanentemente à disposição do outro —e vice-versa.

Mas essa lógica não combina com o mundo real. Nem toda demora é desinteresse. Nem todo silêncio é afastamento. Às vezes, é só vida acontecendo fora da tela: rotina caótica, cansaço digital ou simples esquecimento.

Identificando o que importa

As redes também alimentam inquietações mais difusas, mas nem por isso menos desgastantes: a sensação de que talvez o seu relacionamento não seja bom o suficiente, de que você deveria estar produzindo mais ou de que está atrasado em relação à sua idade. Em um ambiente em que todo mundo parece sempre certo, resolvido e cheio de opinião, também cresce a impressão de que só você está em dúvida, em atraso ou fora do ritmo.

É claro que nem todo o desconforto nasce das redes sociais. Em certos casos, elas funcionam como uma lente de aumento para questões que já existiam, porém eram difíceis de identificar. Mas, mesmo nesses casos, o excesso de informação também pode confundir. O desafio está em separar o que é um incômodo real —que merece atenção, cuidado e, às vezes, acompanhamento profissional— do que é ruído, comparação ou sugestão que só ganha força enquanto você está on-line.

Autor: Folha

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