terça-feira, setembro 22, 2026
21.2 C
Pinhais

os grandes produtores de pequenas propriedades

Uma propriedade rural pode ter poucos hectares e, ainda assim, abrigar um negócio de alto potencial econômico e grande complexidade. No Oeste do Paraná, famílias que combinaram grãos com aves, suínos, peixes e gado bovino ampliaram as fontes de receita, aproveitaram melhor a estrutura disponível e reduziram a dependência de uma única atividade. O resultado é uma mudança no peso econômico da terra: em vez de crescer para os lados, a propriedade passa a gerar mais valor dentro da mesma área.

As experiências de Lauro Soethe, em Santa Helena, e Raquel Claus, em Palotina, ilustram como essa estratégia de intensificação produtiva transforma pequenas propriedades. E mexe com a própria economia dos municípios onde vivem.

Santa Helena alcançou Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de R$ 2,73 bilhões em 2025, o quarto maior entre os 399 municípios paranaenses. Quase 89% vieram da pecuária. Palotina ocupou a 11ª posição no Estado, com R$ 1,94 bilhão. A criação de animais respondeu por cerca de 68% desse valor.

Os dois municípios integram uma região onde as cadeias de proteína animal ganharam densidade e escala. Os grãos continuam importantes, mas já não carregam sozinhos o peso da economia rural. Em 2024, o Oeste concentrava 64,9% do efetivo suíno do Paraná e respondia por 80,5% da tilápia produzida no Estado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em dez anos, a produção regional do peixe saltou de 36,6 mil para 153,3 mil toneladas.