
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) está ampliando a troca de informações de inteligência entre seus integrantes diante do aumento de episódios de sabotagem e outras ações atribuídas à Rússia na Europa. A medida foi confirmada nesta quinta-feira (24) pelo comandante supremo aliado na Europa, general americano Alexus Grynkewich, horas depois de a inteligência militar da Dinamarca alertar que Moscou pode intensificar sua guerra híbrida contra países ocidentais nos próximos meses.
Em entrevista à agência Reuters, Grynkewich afirmou que os episódios registrados nas últimas semanas são preocupantes, mas disse que a aliança dispõe de mecanismos para identificar ameaças e responder a eventuais ações russas. Segundo o general, o reforço do compartilhamento de inteligência faz parte dessa reação.
A chamada guerra híbrida reúne ações realizadas abaixo do nível de uma ofensiva militar convencional. Elas podem envolver sabotagem, ataques cibernéticos, operações clandestinas e outras formas de pressão destinadas a atingir infraestrutura, governos ou sociedades sem desencadear formalmente uma guerra.
O novo alerta foi divulgado nesta quinta pelo Serviço de Inteligência de Defesa da Dinamarca (FE). Em uma avaliação pública sobre a ameaça russa, o órgão afirmou que espera uma nova escalada das ações híbridas contra a Otan e o Ocidente nos próximos meses, com ataques mais frequentes e potencialmente mais graves.
A inteligência dinamarquesa também elevou o grau de preocupação com uma eventual ação militar direta. Segundo o relatório, existe atualmente um risco “baixo, mas crescente” de a Rússia realizar um ataque militar limitado contra um ou mais países da Otan que fazem fronteira com seu território. O órgão considera uma invasão em grande escala improvável, mas afirma que essa possibilidade já não pode ser completamente descartada.
Thomas Ahrenkiel, chefe do serviço de inteligência dinamarquês, disse que um ataque limitado poderia assumir diferentes formas, entre elas o uso de drones ou mísseis contra infraestruturas relacionadas ao apoio à Ucrânia. Segundo ele, Moscou também poderia recorrer a operações destinadas a testar a reação da Otan sem tentar ocupar um país inteiro.
À Reuters, Grynkewich considerou improvável neste momento um ataque russo limitado contra um território da aliança, mas afirmou que a hipótese não pode ser descartada. O general disse que possui autoridade para tomar medidas de dissuasão caso sejam identificadas ameaças em desenvolvimento e afirmou que a Otan está preparada para defender seu território.
Nas últimas semanas, autoridades europeias atribuíram à Rússia uma tentativa de ataque com drones contra o aeroporto de Leipzig, na Alemanha. Na semana passada, segundo as Forças Armadas da Dinamarca, uma fragata russa também lançou dois sinalizadores na direção de um helicóptero militar dinamarquês em águas internacionais.
A Rússia nega envolvimento em operações de sabotagem ou guerra híbrida em países da Otan. A Embaixada russa em Copenhague também rejeitou nesta quinta-feira a avaliação da inteligência dinamarquesa, afirmando que as conclusões não seriam sustentadas por provas confiáveis e acusando países ocidentais de aumentarem as tensões em torno da guerra na Ucrânia.
Autor: Gazeta do Povo








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