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Quando o Brasil terá eólicas offshore em operação

O relatório Global Wind Report 2026, publicado pelo Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês), mostra um rápido avanço na potência instalada de energia eólica offshore em todo o mundo. Só em 2025 foram conectados 9,2 gigawatts de turbinas instaladas no mar, elevando a capacidade dessa modalidade para 92,3 GW.

Enquanto isso, o Brasil – que conta com excelentes condições de vento na costa – ainda se organiza no campo regulatório para viabilizar os primeiros projetos de eólicas offshore daqui a uma década, em 2036.

“Essa é uma janela bastante realista, mas desde que haja um avanço regulatório imediato, ainda neste ano. Qualquer atraso nessa etapa pode postergar esse horizonte”, afirma o diretor de Novos Negócios da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica), Marcello Cabral.

A lei nº 15.097/2025, que instituiu o Marco Legal da Eólica Offshore, está em vigor, mas o mercado ainda aguarda uma regulamentação infralegal que inclui definição de metodologia de seleção de áreas, critérios de licitação, parâmetros de qualificação técnica e econômica e regras de integração com o planejamento energético e de transmissão.

O mercado de energia já demonstrou que tem interesse em investir em energia eólica offshore no Brasil. Segundo a ABEEólica, 59 empreendimentos foram protocolados no Ibama para licenciamento ambiental. Esses projetos totalizam 135 GW de potência e estão espalhados pelas costas das regiões Nordeste (62 GW), Sudeste (19 GW) e Sul (53 GW). Essa capacidade planejada equivale a quase quatro vezes a potência total de todas as usinas eólicas instaladas hoje no país, todas em terra.

No início de abril, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a resolução que estabelece as diretrizes para regulamentação da lei das eólicas offshore. Entre as diretrizes estão os critérios relativos à distância da costa.

Além disso, a resolução estabelece que o CNPE poderá definir áreas prioritárias e que a gestão de áreas offshore será realizada por meio do Portal Único de Gestão de Áreas Offshore (PUG Offshore). O MME espera que até este mês seja entregue um relatório diagnóstico e um plano de ação para as políticas públicas para a promoção de investimentos e desenvolvimento dos projetos.

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Brasil tem potencial para 1,2 mil GW de energia eólica offshore

A energia eólica representa, hoje, cerca de 17% da matriz elétrica brasileira, com um total de 35,9 GW de potência instalada. Mas ela está totalmente onshore, ou seja, em terra. E passa por algumas dificuldades, especialmente relacionadas ao excesso de energia solar no sistema, que obriga o desligamento de turbinas eólicas em parte do dia.

Apesar desse momento, o setor de energia observa nas eólicas offshore uma oportunidade relevante, especialmente se forem distribuídas próximas a grandes centros de carga. De acordo com estudos preliminares, o potencial técnico estimado da operação no mar supera 1,2 mil GW, sendo 480 GW em áreas de fundação fixa (até 70 metros de profundidade) e 750 GW em modelo flutuante (águas profundas).

“Temos um potencial técnico excepcional e temos uma costa extensa com excelentes condições de vento, os melhores ventos do mundo. E já temos experiência bem consolidada em eólica onshore”, observa Marcello Cabral, da ABEEólica.

Esse potencial é significativo, afinal a energia eólica offshore tem hoje uma potência instalada de 92,5 GW em todo o mundo, segundo o GWEC, sendo que só a China responde por mais da metade dessa capacidade. Veja abaixo a participação dos principais mercados no setor:

  • China: 52,3%
  • Reino Unido: 18,4%
  • Alemanha: 10,4%
  • Holanda: 5,3%
  • Taiwan: 3,9%
  • Restante do mundo: 9,7%

Esses países começaram a percorrer esse caminho já vários anos e entregaram algumas lições que podem ser absorvidas pelo Brasil. E elas vão além das turbinas.

“Outros países demonstraram que desenvolvimento coordenado com portos e cadeia produtiva é fundamental. Em várias cidades e países que adotaram essa tecnologia houve revitalização e desenvolvimento da cadeia produtiva e portuária bastante relevante”, complementa Cabral.

Autor: Gazeta do Povo

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