Prisões, problemas com a polícia, invasões, ofensas, plantação de maconha, briga na rua, cassações… A carreira política do deputado estadual Renato Freitas (PT) é curta, mas repleta de polêmicas. Eleito deputado federal pelo Paraná no último dia 4, promete levar o mesmo estilo para Brasília a partir do ano que vem.
Freitas foi o nono candidato a deputado federal mais votado no Paraná, somando 115.227, e um dos cinco eleitos pelo PT no estado. Será o terceiro cargo eletivo desde 2020, quando se elegeu vereador de Curitiba. Em 2022, foi eleito deputado estadual. Nas duas Casas flertou com a cassação do mandato.
O agora deputado federal pelo PT tem 42 anos, é graduado e mestre em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Antes de começar na vida política — em 2016 não se elegeu vereador —, trabalhou na Defensoria Pública do Paraná, foi professor universitário e advogado popular.
Freitas costuma dizer que a participação dele na política tem relação direta com ter crescido na periferia da capital paranaense. É do tempo da infância e da adolescência que se moldou à esquerda. Hoje, afirma que um dos objetivos na política é “combater a extrema-direita”.
Não por acaso é um dos integrantes da Bancada da Esquerda Radical, grupo formado neste ano por parlamentares de esquerda com o objetivo de “combater o fundamentalismo, disputar ideias, apresentar um programa político que realmente escute os interesses do povo e da classe trabalhadora.”
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Renato Freitas escapou de duas cassações
No segundo ano de mandato de vereador de Curitiba, em 2022, Renato Freitas e outras dezenas de pessoas com bandeiras do PT e do PCB invadiram a Igreja do Rosário, no centro histórico da capital paranaense, e começou a lançar gritos de “racistas” e “fascistas” para quem acompanhava a missa no local.
Esse episódio levou o então vereador a ter o mandato cassado pelo Conselho de Ética da Câmara Municipal de Curitiba e, posteriormente, pelo plenário da Casa, por quebra de decoro. Apesar disso, em medida liminar, o então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso restabeleceu o mandato dele.
Já como deputado estadual, Renato Freitas novamente esteve prestes a perder o mandato. Após se envolver em uma briga com um manobrista no centro de Curitiba em novembro de 2025, o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) recebeu 11 representações contra Renato Freitas.
O processo seguiu para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde foi referendado por oito votos a dois no início de junho. A votação da cassação em plenário, entretanto, não aconteceu.
Isso porque o desembargador Rogério Luis Nielsen Kanayama, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), concedeu liminar para suspender a votação que poderia cassar o deputado do PT. A Alep recorreu, mas o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Hernan Benjamin, rejeitou o recurso.
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Polêmicas de Renato Freitas começaram em 2016
Renato Freitas foi eleito vereador de Curitiba em 2020, mas quatro anos antes, quando concorreu pela primeira vez, já começava a colecionar polêmicas. Elas seguiram para o mandato de deputado estadual em 2022, quando foi eleito para a Alep.
Desacato após som alto (2016)
Quando era candidato a vereador, em agosto de 2016, Freitas foi preso pela Guarda Municipal no Largo da Ordem, no centro histórico de Curitiba. Segundo o boletim de ocorrência, ele ouvia música (rap) em volume alto, em um carro, e teria desacatado agentes da Guarda Municipal que o abordaram.
Abordagem de policiais (2017)
Ele foi novamente preso ao filmar policiais militares que o abordaram, no bairro Alto da Glória, também na capital paranaense.
Conflito com guardas municipais (2018)
Durante a campanha eleitoral de 2018, quando era candidato a deputado estadual, Renato Freitas entrou em conflito com guardas municipais de Curitiba e precisou ser contido com o uso de munição menos letal. De dentro da viatura, fez uma transmissão a seguidores por rede social.
Pichação em supermercado (2020)
Em novembro de 2020, depois de ser eleito vereador, Freitas foi flagrado pichando um toldo do supermercado Carrefour no bairro Parolin, em Curitiba.
Obstrução de trabalho da PM (2021)
Freitas foi novamente detido pela Polícia Militar, dessa vez em junho de 2021. Ele foi abordado sob a alegação de obstruir o trabalho da Polícia Militar enquanto policiais abordavam uma outra pessoa. À época, a assessoria dele disse que Freitas foi vítima de ação arbitrária da força policial.
Detido em ato contra Bolsonaro (2021)
Outra ocorrência foi registrada em julho de 2021, quando foi detido pela Guarda Municipal de Curitiba durante ato contra o governo Bolsonaro.
Invasão à Igreja do Rosário (2022)
Em um dos episódios mais marcantes na carreira política de Freitas, ele invadiu a Igreja do Rosário, no centro histórico de Curitiba. Por causa disso, chegou a ter o mandato de vereador cassado pelo Conselho de Ética e, na sequência, pelo plenário da Casa, por quebra de decoro. Uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) restabeleceu o mandato dele.
Ameaça contra Ricardo Arruda (2023)
Após eleito deputado estadual, Freitas foi alvo de um boletim de ocorrência por supostamente ter ameaçado o deputado Ricardo Arruda (PL). “Quando, a exemplo do deputado Ricardo Arruda, se desvia do caminho, propaga a mentira, o resultado é a morte”, teria dito. Freitas ainda teria sugerido a Arruda que ele se arrependesse. “Arrependa-se. Há tempo, enquanto há vida”, disse então o petista.
Retirado de voo (2023)
Então como deputado estadual, em maio de 2023, Freitas foi retirado de um voo em Foz do Iguaçu, na região oeste do Paraná, após ter se negado a passar por revista pela Polícia Federal.
Freitas chama presidente da Alep de corrupto (2023)
Após chamar de “hipócritas” representantes de igrejas evangélicas que estavam nas galerias da Assembleia Legislativa do Paraná, Freitas iniciou uma discussão com o então presidente da Casa, Ademar Traiano (PSD). Em um dado momento, ele chamou Traiano de corrupto. Uma representação disciplinar foi aberta e ele foi condenado no Conselho de Ética da Alep. Em março de 2024, porém, a representação foi arquivada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que reconheceu a prescrição do processo administrativo.
Comentário antissemita (2024)
Em uma postagem do jornal Folha de S. Paulo nas redes sociais sobre discriminação de judeus no mercado de trabalho, o deputado comentou que morou “em várias quebradas na minha vida, moro de aluguel, sempre mudando tipo cigano, e em nenhuma delas eu vi ou conheci algum judeu”. O comentário rendeu uma nota de repúdio da Federação Israelita do Paraná. Posteriormente, Freitas retirou o comentário da postagem.
Ofensa a deputado do PP (2025)
Durante sessão da CCJ na Alep, Renato Freitas ofendeu verbalmente o deputado Márcio Pacheco (PP) e o assessor dele, Kenny Braian. Uma representação contra ele foi apresentada, mas o caso não avançou.
Protesto em mercado de Curitiba (2025)
Renato Freitas participou de protesto em um mercado de Curitiba contra a morte de um jovem que teria sido espancado por funcionários do estabelecimento. Uma punição de 30 dias chegou a ser aprovada na Alep, mas o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) concedeu um mandado de segurança para o petista. Na sequência, porém, a liminar foi cassada e ele foi suspenso das prerrogativas parlamentares. Ele levou o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que suspendeu a punição.
Briga na rua no centro de Curitiba (2025)
Em novembro do ano passado, o petista foi flagrado brigando com um manobrista na rua, no centro de Curitiba. Os dois trocaram socos e a briga foi gravada por outras pessoas e também por câmeras de segurança. Na época, Renato Freitas alegou que foi vítima de racismo. Vários processos chegaram ao Conselho de Ética da Alep pedindo a cassação do mandato dele, que foi aprovada em maio de 2026, antes de também ser aprovada pela CCJ. O STJ, porém, suspendeu a votação da cassação em plenário.
Plantação de maconha em casa (2025)
Em entrevista à revista Breeza, Renato Freitas afirmou ser “maconheiro” e disse que a criminalização da maconha no Brasil tem “caráter absolutamente racista”. Além disso, ele admitiu que tentou cultivar a planta em casa após receber “umas sementinhas”.
Réu por calúnia e difamação (2026)
O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR) tornou Renato Freitas réu por calúnia, difamação e injúria qualificada por discriminação de gênero. O motivo foram declarações do petista em 2025 que sugeriam que uma “amizade íntima” com o então secretário da Segurança Pública do Paraná, Hudson Teixeira, teria pesado na nomeação de Ananda Chalegre dos Santos para diretora-geral da Polícia Penal.
Autor: Gazeta do Povo








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