O litoral de Santa Catarina ganhou neste mês um novo parque: o Bravura Park é apresentado pela administração como “o primeiro parque temático militar da América Latina”, instalado em uma área de mil metros quadrados às margens da BR‑101, em Tijucas. O investimento no empreendimento é estimado em R$ 100 milhões.
Em fase de pré‑abertura desde o último dia 22, o empreendimento combina acervo militar — com mais de 5 mil peças históricas, viaturas e documentos — a experiências imersivas como passeios de blindados, aerobarco e tirolesas que simulam um salto militar. Nesta etapa inicial, o parque opera com funcionamento até 9 de agosto em datas selecionadas e acesso limitado a até 300 visitantes por dia.
O parque ainda recebe público de 29 de julho a 2 de agosto, e encerra essa fase entre 6 e 9 de agosto, incluindo o fim de semana do Dia dos Pais. Os ingressos promocionais, vendidos antecipadamente pelo site oficial, custam R$ 69 para visitantes a partir de 12 anos, R$ 52 para crianças de 5 a 11 anos, e permitem acesso ao acervo histórico e às áreas temáticas; crianças de até 4 anos entram gratuitamente.
Experiências extras, como passeios em blindados, aerobarco, tirolesa paraquedista, arvorismo tático e estande de tiro airsoft, são comercializadas em pacotes específicos, com valores que variam conforme a combinação de atividades. Depois da pré‑abertura, o parque deve entrar em operação regular com calendário mais amplo, de quinta a domingo na baixa temporada e quase diariamente em janeiro e fevereiro, mas a data da abertura oficial ainda não foi divulgada.
VEJA TAMBÉM:
-

Havan investe R$ 250 milhões e leva supertecnologia ao maior centro de distribuição da América Latina
Um dia como soldado
O empreendimento reúne mais de 5 mil itens históricos, galpões temáticos, veículos militares, recursos visuais e sonoros e uma série de atrações inspiradas no universo das forças armadas, em uma experiência pensada para ocupar o dia inteiro do público. Segundo o diretor-comercial e de marketing do Bravura Park, Gustavo Corrêa, a proposta central é unir memória histórica e entretenimento.
A jornada começa às 9h, quando os visitantes são conduzidos ao chamado galpão do comando, espaço que funciona como porta de entrada da experiência e também como ponto de fotos. Dali, o público segue para o campo central do parque, de onde pode escolher entre mergulhar primeiro na parte histórica — com galpões como infantaria, cavalaria e artilharia — ou partir para as atrações de aventura, como passeio de veículo blindado, incluindo tanque de guerra, aerobarco, airsoft, arvorismo e tirolesa.
Ao longo do percurso, o parque busca a ideia de “um dia como soldado” sem se limitar à exibição estática de equipamentos. Corrêa diz que o acervo foi organizado para criar uma imersão histórica, com descrições, iluminação cênica, áudios por ambientação militar e simulações de uso de alguns veículos e equipamentos.
“É basicamente o apelo histórico em cima dos equipamentos, um relato muito similar ao de um museu, porém com um pouquinho mais de recursos visuais e auditivos para facilitar o consumo dessas informações históricas”, conta. Entre as atrações vendidas à parte, a empresa organiza as experiências em missões temáticas.
A “Missão soldado” inclui passeio de blindado, aerobarco e estande de tiro com airsoft; a “Missão aventura” reúne arvorismo tático, tirolesa em curvas e parede de escalada; e a “Missão bravura” combina todas as atividades em um único pacote. Para o público infantil, a pré-abertura inclui a “Missão Dudinha”, com miniblindados elétricos e arvorismo kids.

O acervo do parque começou a ser formado há cerca de 25 anos, a partir do colecionismo do idealizador do projeto, o engenheiro e empresário Dudevant dos Santos Teixeira, aponta Corrêa. Entre os itens destacados pela direção está um Volkswagen Kübelwagen, veículo militar alemão da Segunda Guerra Mundial desenvolvido sobre base semelhante à do Fusca, além de peças datadas entre os séculos XVIII e XX, vindas de diferentes países e contextos históricos.
As atrações do Bravura Park
- Passeio com veículos blindados, incluindo tanque de guerra. O circuito tático inclui obstáculos naturais
- Passeio com aerobarco (embarcação equipada com uma grande hélice traseira, utilizada em regiões pantanosas ou de águas rasas)
- Arvorismo tático, com pontes suspensas, redes táticas, tirolesas curtas e obstáculos verticais
- Tirolesa paraquedista, que simula a experiência de um salto militar
- Estande de tiro com armas de pressão
- Passeio infantil com veículos blindados – focado em crianças de 3 a 6 anos
- Arvorismo infantil – focado em crianças de 3 a 6 anos
- Acervo militar com 192 viaturas, 1.131 utensílios de soldados, 261 documentos históricos e 134 conflitos retratados.
O parque oferece restaurante temático, praça de alimentação e cafeteria.
VEJA TAMBÉM:
-

Balneário Camboriú barra arranha-céu de 42 andares para salvar vista de cartão-postal
Economia da Defesa e novo polo turístico no Sul
A grande aposta da empresa é que o parque, ao reunir o acervo e experiências pouco comuns no Brasil, passe a ocupar um nicho ainda pouco explorado: o da chamada “economia da defesa” aplicada ao turismo e ao entretenimento.
Na visão de Marcos Arnhold Júnior, professor e pesquisador em políticas públicas do turismo do curso de Turismo e Hotelaria da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), a chegada do Bravura Park representa um movimento importante de diversificação da oferta turística de Santa Catarina. “Mais do que um novo atrativo, trata-se de um equipamento capaz de ampliar a permanência dos visitantes na região e estimular novos fluxos turísticos, desde que integrado às estratégias regionais de promoção e comercialização”, aponta.
O impacto mais imediato aparece no mercado de trabalho e na cadeia de serviços do entorno. Segundo o diretor comercial do Bravura Park, a operação começa com aproximadamente 80 pessoas, diretas e indiretas, e a previsão é que esse time alcance em torno de 200 pessoas na alta temporada, a partir de dezembro.
“Sabemos que uma atração como essa vai trazer outros equipamentos dentro do contexto turístico”, diz ele, citando como exemplos um possível aumento da malha hoteleira e da oferta de restaurantes em Tijucas. Arnhold Júnior concorda que empreendimentos desse porte produzem um efeito multiplicador significativo.
“A hotelaria tende a ser beneficiada pelo aumento da permanência dos visitantes. Restaurantes, cafeterias, comércio, transporte turístico, locadoras, agências receptivas e serviços de entretenimento também costumam registrar incremento de demanda”, ressalta, lembrando que além do impacto direto, existe um efeito indireto sobre investimentos imobiliários, novos empreendimentos comerciais e qualificação dos serviços locais.
Na avaliação do pesquisador, o parque tem potencial para se tornar um “parque‑âncora”, capaz de atrair novos investimentos para a cidade e corredor turístico da rodovia BR‑101, mas pondera que esse resultado não acontece automaticamente. “O sucesso de um ‘parque-âncora’ depende não só do equipamento isoladamente, como também da capacidade da região em fortalecer este ecossistema turístico”, pontua.
Segundo ele, é necessário planejamento territorial, investimentos em infraestrutura, políticas de ordenamento urbano, qualificação profissional, fortalecimento da governança regional e integração entre os municípios.
Serviço Bravura Park
- Onde fica: Rodovia BR‑101, km 171, em Tijucas (SC), com acesso direto pela rodovia.
- Ingressos: R$ 69 para visitantes a partir de 13 anos; R$ 52 para crianças de 5 a 12 anos; entrada gratuita para crianças de até 4 anos.
- Horário de funcionamento: das 9h às 17h, nas datas previstas no calendário da pré‑abertura.
Autor: Gazeta do Povo








.gif)












