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Seis medicamentos comuns podem reduzir risco de demência – 26/04/2026 – Equilíbrio e Saúde

Tomar sua vacina anual contra a gripe pode trazer um benefício colateral significativo: proteção contra a demência.

Diversos estudos mostram que idosos que foram vacinados contra a gripe tiveram um risco menor de desenvolver demência nos anos seguintes, na comparação com aqueles que não foram vacinados. Um dos estudos apontou risco até 40% menor.

Uma nova pesquisa, publicada no início deste mês, reforçou essas evidências, mostrando que idosos que receberam uma dose mais alta da vacina contra a gripe —comumente recomendada para pessoas com 65 anos ou mais— tiveram uma probabilidade ainda menor de desenvolver Alzheimer, em comparação com aqueles que receberam a dose padrão.

Medicamentos comuns também demonstraram reduzir o risco de demência. O desafio dos cientistas, contudo, é determinar se eses remédios beneficiam diretamente o cérebro ou se existe apenas uma correlação entre eles.

A vacina contra a gripe é um bom exemplo disso. “As pessoas que tendem a se vacinar são as que vão ao médico e depois seguem as orientações para tomar seus remédios para pressão arterial e colesterol, que também reduzem o risco de Alzheimer”, diz o autor principal do estudo, Paul Schulz, professor e neurologista da UTHealth Houston, universidade de ciências da saúde nos EUA.

Mas como todos naquele estudo receberam uma vacina contra a gripe, e a dose mais alta ofereceu mais proteção, os resultados sugerem que há algo na própria vacina, e não no comportamento das pessoas, que reduziu o risco de Alzheimer, afirma Schulz.

Conheça, a seguir, outros medicamentos que têm sido estudados devido ao seu potencial de reduzir o risco de demência.

Vacina contra herpes-zóster

Estudos de todo o mundo apontam que pessoas que receberam a vacina contra herpes-zóster tiveram um risco menor (15% a 20%) de desenvolver demência. Grande parte da pesquisa foi feita com uma versão mais antiga da vacina, mas pelo menos um estudo indicou que uma versão mais nova, mais comumente prescrita nos Estados Unidos, chamada Shingrix, poderia oferecer um benefício ainda maior.

Os pesquisadores dizem estar relativamente confiantes de que a própria vacina está fornecendo proteção porque sua implementação inicial em alguns países criou uma espécie de ensaio clínico natural.

“É um conjunto de evidências realmente convincentes de uma relação de causa e efeito”, afirma Pascal Geldsetzer, epidemiologista da Knight Initiative for Brain Resilience em Stanford, que conduziu parte da pesquisa.

Existem algumas teorias sobre como as vacinas podem reduzir o risco de demência. Uma delas diz que, ao proteger as pessoas de contrair uma infecção, a vacina previne a resposta imunológica e especialmente a inflamação que vem com ela —a inflamação é um fator de risco conhecido para a demência.

Isso pode ser especialmente relevante para o herpes-zóster, já que o vírus inicialmente se replica no sistema nervoso e pode causar inflamação no cérebro.

Remédios para pressão alta e colesterol

Estudos indicam que tanto as estatinas como os medicamentos que tratam a hipertensão estão associados a uma redução de 10% a 15% no risco de demência.

Muitos pesquisadores dizem acreditar que esses medicamentos protegem o cérebro ao ajudar a controlar a pressão arterial e o colesterol, ambos fatores de risco para demência. No entanto, assim como ocorre com as vacinas, pessoas que tomam consistentemente seus medicamentos prescritos podem ter outros comportamentos saudáveis que também podem reduzir seu risco.

A maior parte da pesquisa é observacional, mas alguns ensaios clínicos tentaram investigar mais diretamente a conexão entre esses medicamentos e a demência.

Os resultados foram mistos. Um ensaio de 2025, realizado na China, descobriu que pessoas com pressão alta que receberam um medicamento para hipertensão tiveram taxas mais baixas de demência quatro anos depois. Mas um ensaio de 2009 que testou estatinas em pessoas que tinham doença vascular (ou estavam em alto risco) não encontrou benefício na prevenção do declínio cognitivo.

De acordo com Geoffrey Joyce, professor de economia farmacêutica e da saúde na Universidade do Sul da Califórnia, há ainda uma questão em aberto: pessoas que não precisam dos medicamentos para a saúde do coração, por exemplo, poderiam tomá-los para prevenção de demência? Dois grandes ensaios estão atualmente investigando se as estatinas podem ser úteis dessa forma.

Anti-inflamatórios

Como a inflamação no cérebro é um contribuinte conhecido para o Alzheimer, é concebível que medicamentos anti-inflamatórios possam fornecer proteção ao ajudar a reduzi-la no cérebro, bem como sistemicamente.

Um artigo de revisão recente e abrangente listou os anti-inflamatórios como uma das classes de medicamentos que podem reduzir o risco de demência. Mas estudos que analisaram essa conexão, especialmente com anti-inflamatórios não esteroides, tiveram resultados mistos. Alguns encontraram um risco menor de demência com o uso de ibuprofeno, outros não mostraram conexão ou até apontaram mesmo um risco aumentado. Já uma revisão publicada em 2020 afirmou que não existem “evidências para apoiar o uso” de aspirina e outros anti-inflamatórios não esteroides para prevenir demência.

Medicamentos para diabetes

O diabetes está associado a um risco aumentado de demência, e alguns medicamentos para diabetes tipo 2, incluindo metformina e uma classe de medicamentos chamada inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2), parecem reduzir modestamente esse risco, embora alguns estudos não mostrem efeito.

Os inibidores de SGLT2 são medicamentos para diabetes tipo 2 que bloqueiam uma proteína dos rins responsável por reabsorver o açúcar de volta para o sangue. Com isso, o excesso de glicose é eliminado pela urina, ajudando a reduzir a glicemia.

Acredita-se que o potencial benefício decorra em grande parte da capacidade desses medicamentos de ajudar a controlar os níveis de insulina e açúcar no sangue, que afetam a saúde das células cerebrais. Também há evidências de que os medicamentos ajudam a reduzir a inflamação e podem até diminuir os níveis de beta-amiloide no cérebro, proteína-chave envolvida no Alzheimer.

Ensaios clínicos investigando se medicamentos para diabetes podem ser benéficos contra a demência estão em andamento.

Alguns estudos observacionais também descobriram que pessoas com diabetes que usam medicamentos análogos do GLP-1 (como semaglutida, princípio ativo do Ozempic) tiveram um risco menor de desenvolver Alzheimer, em até 45% de acordo com alguns relatos.

Com base nessas evidências e em pesquisas em camundongos mostrando que os medicamentos podem reverter o comprometimento cognitivo, dois ensaios clínicos testaram recentemente se uma forma em comprimido do Ozempic também poderia ajudar a retardar o declínio cognitivo em pessoas com Alzheimer. Os ensaios, porém, não encontraram benefício, e o entusiasmo sobre o uso de GLP-1 como tratamento para Alzheimer caiu significativamente. Mais pesquisas são necessárias para determinar se eles realmente reduzem o risco de demência.

Autor: Folha

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