Do sucesso precoce no Grêmio com dribles desconcertantes em Dunga, o capitão do tetra, até o auge no Barcelona, quando chegou a ser aplaudido de pé por torcedores do rival Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu, passando pelas saídas conturbadas da maioria dos clubes que defendeu, a série “Ronaldinho Gaúcho”, que estreia nesta quinta-feira (16) na Netflix, retrata alguns dos momentos mais marcantes da vitoriosa carreira do ex-craque nos gramados do Brasil e da Europa.
Sob a direção do uruguaio Luis Ara, que já dirigiu documentários sobre a campanha do pentacampeonato da seleção brasileira e também sobre a tragédia da Chapecoense, a série em três episódios —de cerca de 50 minutos cada— busca trazer aos torcedores mais novos um pouco de todo o impacto e do fascínio gerado pelo futebol de Ronaldo de Assis Moreira, que pendurou as chuteiras há mais de uma década, em passagem apenas discreta pelo Fluminense.
“Com o Ronnie [como Ronaldinho Gaúcho acabou se tornando mais conhecido na Europa], além de sermos melhores, éramos queridos”, derrete-se em um dos episódios Joan Laporta, presidente do Barcelona —com o clube catalão, o brasileiro venceu duas vezes o Campeonato Espanhol (nas temporadas 2004/05 e 2005/06) e a Champions League (2005/06).
De acordo com o diretor, a série tem como objetivo apresentar ao público de maneira “muito honesta” o personagem que tanto encantou os torcedores pelos estádios ao redor do mundo entre o fim dos anos 1990, quando fez sua estreia de gala pela seleção contra a Venezuela, até o início da década de 2010, como um dos protagonistas na conquista da Copa Libertadores com o Atlético Mineiro.
“Para nós, era muito importante contar tudo o que aconteceu no Atlético, porque foi uma etapa em que todo mundo achava que o Ronaldinho já estava acabado, com muitos questionamentos desde sua volta ao Brasil. E acho que ele encontrou em Belo Horizonte um lugar onde se sentiu muito à vontade, recebendo muito carinho dos torcedores”, afirmou Ara em entrevista por vídeo à Folha.
Além do encanto que causava com a bola nos pés, atestado por depoimentos sinceros de nomes do quilate de Messi, Ronaldo e Neymar, os episódios não se furtam a narrar também as polêmicas fora das quatro linhas, como seu conhecido apreço pelas noitadas e a prisão no Paraguai em 2020 por uso de documentos falsos. “Foi o pior momento. Sem dúvida”, reconheceu Ronaldinho durante a série.
“Não tem nada que não seja contado, nem algo que seja contado exageradamente. Queremos mostrar como ele jogava futebol, os conflitos que tinha fora de campo, ou como é sua vida agora. Acho que a série tem um equilíbrio muito interessante em todos esses aspectos”, disse o diretor uruguaio.
“A imagem que os espectadores terão de Ronaldinho vendo a série é a imagem que tem que ficar, porque é o que ele é”, acrescentou Ara. “O público vai poder conhecer não só o atleta, mas o cara por trás desse jogador mágico que todo mundo conheceu.”
Ara disse ainda que foi ao longo do processo de produção da série —que durou pouco mais de um ano— que se deu conta da extrema timidez de Ronaldinho Gaúcho. Ao menos quando não está com uma bola sob os seus pés.
“Me acho tímido quando tem câmera, gravação. Quando estou com a bola, eu esqueço do mundo”, afirmou Ronaldinho em um dos episódios. “Eu fui muito feliz jogando e as pessoas falam que eram muito felizes de me ver jogando. Só tenho que agradecer a Deus.”
Além dos depoimentos do próprio Ronaldinho e de alguns de seus principais companheiros de equipe, os episódios também contam com uma importante participação de Assis, seu irmão e empresário de toda a vida.
Fica claro ao longo da série o tamanho da influência exercida pelo irmão mais velho, desde a morte precoce do pai, quando Ronaldo tinha oito anos mas já despontava como um novo talento nas bases do Grêmio, até as decisões de deixar de forma pouco amigável alguns dos clubes pelos quais brilhou durante a carreira, como o próprio Grêmio, além de PSG, Barcelona e Flamengo.
“Mato e morro pela minha família. Eu sempre negociei com um objetivo: tem que estar bom para ele”, afirmou Assis na série.
“Não sei dos detalhes. Quem cuidou da minha carreira, da parte empresarial, sempre foi o meu irmão”, reconheceu Ronaldinho em um episódio, ao abordar a saída conturbada do PSG.
“[Assis] foi quem mais me orientou e foram as orientações que mais deram certo. Então, para mim, meu irmão foi o cara que mais me ajudou”, disse o craque dos “rolês aleatórios”.
Autor: Folha








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