
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite deste sábado (1º) ter adiado uma ofensiva militar contra o Irã. Segundo o líder norte-americano, a decisão ocorreu após a sinalização dos iranianos para um novo acordo de reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula parcela expressiva do petróleo mundial.
A declaração de Trump ocorre em meio a um ambiente de forte apreensão na região. Horas antes do pronunciamento, embaixadas dos Estados Unidos no Oriente Médio orientaram cidadãos norte-americanos a deixarem os países locais imediatamente, diante da grave escalada no confronto com o regime teocrático de Teerã pela navegação no canal.
Donald Trump utilizou sua rede social oficial para detalhar os bastidores da negociação direta com as lideranças do Oriente Médio, ressaltando as exigências norte-americanas para a contenção definitiva do programa atômico iraniano e o restabelecimento da estabilidade marítima no comércio global de energia.
O presidente dos Estados Unidos garantiu que a trégua temporária nas operações militares dependia exclusivamente do cumprimento das garantias firmadas para a segurança da navegação internacional e o fim das agressões por parte do regime iraniano:
“O Irã e outros países do Oriente Médio nos pediram que adiássemos qualquer ataque, uma vez que as bases de um acordo foram acordadas. Isso incluiria a abertura imediata, completa e total do estreito de Ormuz e o fim da ameaça nuclear do Irã”, afirmou Trump na plataforma Truth Social.
Irã contesta versão e nega pedido de Trump
Na manhã deste domingo (2), veículos estatais e a agência de notícias iraniana Mehr rebateram publicamente as declarações vindas de Washington. O regime teocrático negou categoricamente ter solicitado ao governo dos Estados Unidos a suspensão dos ataques aéreos ou pedido termos para a interrupção das hostilidades.
Fontes do governo de Teerã citadas pelos canais locais rejeitaram a narrativa da Casa Branca, sinalizando que as tropas iranianas não recuaram e mantêm posições defensivas contra eventuais incursões das forças ocidentais na rota marítima de Ormuz.
O veículo estatal iraniano enfatizou ainda o posicionamento das autoridades de Teerã contra as afirmações divulgadas pelo presidente norte-americano em relação aos bastidores do conflito:
A alegação do presidente dos EUA “não passava de uma nova mentira” e as Forças Armadas iranianas estavam “em alerta máximo e prontas para qualquer eventualidade”.
O histórico do conflito estratégico
Em 17 de junho, Washington e Teerã assinaram um acordo para pôr fim à guerra que Israel e os Estados Unidos iniciaram no dia 28 de fevereiro. O entendimento inicial permitiu a reabertura do Estreito de Ormuz, dando início a um período estipulado em dois meses de negociações na tentativa de se alcançar um tratado definitivo.
No entanto, a volatilidade da região comprometeu o andamento das tratativas diplomáticas. Desde a assinatura dos termos temporários, episódios de ataques recíprocos voltaram a ser registrados no teatro de operações do Oriente Médio, minando a confiança entre as partes envolvidas.
Diante do descumprimento das cláusulas de pacificação, Trump declarou o fim do acordo de cessar-fogo. Em retaliação imediata, o regime do Irã anunciou novamente o bloqueio do Estreito de Ormuz, canal vital por onde transita cerca de 20% do comércio mundial de petróleo, reacendendo alertas de crise energética em escala global.
Autor: Gazeta do Povo








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