
O governo de Donald Trump intensifica a nomeação de embaixadores com perfil político para postos estratégicos em todo o mundo, incluindo o Brasil. A medida, aprovada pelo Senado americano em agosto de 2026, consolida a Doutrina Donroe. O objetivo de Washington é usar aliados leais para frear o avanço da China e da Rússia nas Américas, além de combater o tráfico de drogas e a imigração ilegal.
O que caracteriza a nova estratégia de nomeações diplomáticas de Donald Trump?
A gestão atual prioriza a escolha de executivos, doadores de campanha e aliados leais em vez de diplomatas de carreira. Enquanto no primeiro mandato de Trump e no governo de Joe Biden os profissionais técnicos eram maioria, os dados atuais mostram 65 embaixadores políticos contra apenas 25 de carreira. Essa mudança busca garantir que as diretrizes do governo, como o slogan ‘America First’ (América Primeiro), sejam seguidas de forma incisiva, sem a moderação técnica habitual dos diplomatas tradicionais, permitindo uma atuação mais agressiva nos interesses de segurança dos EUA.
Qual é o principal objetivo da chamada Doutrina Donroe nas Américas?
Inspirada na histórica Doutrina Monroe do século XIX, a Doutrina Donroe foca em deter a influência de potências rivais, especificamente China e Rússia, no continente americano. Os embaixadores escolhidos por Trump atuam como peças-chave nesse tabuleiro geopolítico. Eles têm a missão de combater o crime organizado, o tráfico de entorpecentes e a migração irregular. No Panamá e no México, por exemplo, os enviados já demonstram um perfil mais combativo, celebrando parcerias com governos alinhados à direita e pressionando autoridades locais para endurecer o controle nas fronteiras regionais.
Como as nomeações de embaixadores políticos têm afetado a relação com o Brasil?
A indicação de Daniel Perez, conhecido como ‘Mini Rubio’ por sua afinidade com o secretário de Estado Marco Rubio, gerou atritos diplomáticos. Perez foi aprovado pelo Senado dos EUA, mas a demora do governo Lula em conceder o ‘agrément’ — que é a aceitação oficial do novo embaixador pelo país anfitrião — levou Washington a revogar o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti. O episódio ilustra o clima de tensão e a pressão direta que a nova diplomacia americana exerce sobre governos latino-americanos com ideologias de esquerda.
Quais são as principais críticas e polêmicas envolvendo esses novos diplomatas?
Críticos e diplomatas de carreira argumentam que os indicados políticos muitas vezes ultrapassam os limites das convenções internacionais ao interferir em assuntos internos dos países. Na Argentina, o embaixador Peter Lamelas cobrou justiça contra Cristina Kirchner e criticou tecnologias chinesas, gerando notas de repúdio da China. Na Bélgica, houve atritos após críticas a leis locais sobre procedimentos médicos religiosos. Especialistas alertam que declarações que pressionam decisões domésticas de outros Estados ferem o princípio de não intervenção, essencial para o equilíbrio das relações globais.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Autor: Gazeta do Povo








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