
O governo Trump voltou a discutir novas sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o jornal britânico Financial Times (FT). A medida aprofundaria a crise diplomática entre os dois países, hoje no nível mais baixo em décadas.
A Casa Branca considera retomar a punição aplicada a Moraes no ano passado e revertida em dezembro. As sanções se basearam na Lei Magnitsky Global, instrumento criado para punir graves violações de direitos humanos. Elas atingiram Moraes, a esposa e uma empresa da família. A retirada veio após reunião e ligações entre Trump e Lula.
A acusação original partiu do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. Ele apontou “campanha opressiva de censura, detenções arbitrárias que violam direitos humanos e processos politizados”. O texto citava ações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe e aliado de Trump.
Sanções retiradas em dezembro voltam à mesa
Segundo pessoas a par do assunto, a reimposição das medidas está “em consideração”. O mecanismo congela ativos nos Estados Unidos e proíbe empresas e cidadãos dos EUA de negociar com os alvos. “Há muitos fatores e um padrão consistente de abuso. Este é apenas o mais recente”, afirmou uma das fontes. “As preocupações nunca desapareceram.”
Moraes ganhou projeção global após confronto com Elon Musk, quando determinou o bloqueio da plataforma X no país. Para um interlocutor próximo do governo dos EUA, Moraes persegue aliados de Bolsonaro.
“Ele foi atrás dos apoiadores do presidente, não apenas Musk, mas os tipos MAGA no Brasil. Mesmo que queiramos uma boa relação com o Brasil, obviamente esse sujeito é um inimigo.”
Caso do jornalista reacende debate sobre imprensa
O novo foco dos EUA em Moraes ganhou força após o magistrado autorizar buscas contra um jornalista e supostas fontes. O FT não informou qual é a investigação. Mas pode estar relacionada a outro ministro da Corte, Flávio Dino, e de sua família. Moraes argumentou que as informações foram obtidas e divulgadas ilegalmente, com risco à segurança dos familiares.
O caso reacendeu o debate sobre liberdade de imprensa. Defensores do ministro afirmam que ele protegeu a democracia contra uma onda de desinformação. Críticos, incluindo a administração Trump, veem na atuação dele um atropelo à liberdade de expressão. O Departamento de Estado e a Casa Branca não comentaram; o STF não respondeu aos pedidos do FT.
Relação EUA-Brasil acumula atritos
Novas sanções entrariam emm um quadro de atritos crescentes. O governo Trump impôs tarifa protecionista de 50% sobre produtos brasileiros e exigiu o fim do processo contra Bolsonaro. A Suprema Corte dos EUA derrubou a medida. Em julho, Washington aplicou tarifa de 25% sobre boa parte das exportações brasileiras.
A trégua durou pouco. No mês passado, Brasília negou entrada a dois enviados de Trump, com receio de interferência na eleição de outubro. Washington rejeitou a acusação.
A eleição de outubro atravessa o cenário. Lula, candidato à reeleição para um quarto mandato não consecutivo, lançou a campanha neste domingo (16). O ato ocorreu em São Bernardo do Campo (SP), onde ele se destacou como líder sindical, à frente de greves de metalúrgicos no fim dos anos 1970.
Ele sugere que os EUA podem favorecer seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, hoje preso. Lula também trocou farpas públicas com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Lula agradeceu aos trabalhadores que acreditaram em sua trajetória. Disse que, enquanto estiver vivo, não deixará de lutar nem permitirá que a direita vença.
Autor: Gazeta do Povo








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