Terça-feira, 14 de abril de 2026. Estádio da Vila Belmiro, em Santos (SP). Segunda rodada da Copa Sul-Americana, competição que dá ao campeão vaga na Libertadores de 2027.
De um lado, o Santos, fundado em 1912 e comemorando aniversário no dia da partida, dono de oito títulos internacionais, cinco deles na era Pelé. Do outro, o Recoleta, de 1931, zero título internacional e, nacionalmente, sem taça de primeira divisão.
Com Neymar liderando o time de branco, e com o adversário aurinegro vindo ao Brasil para disputar seu primeiro jogo fora das fronteiras guaranis, esperava-se vitória fácil do Santos.
Até porque o Recoleta viajou com os reservas, a fim de priorizar o Paraguaio. Por quê? Porque o clube é modesto. Sua diretoria, realista, não vê possibilidade de ir longe na Sul-Americana. A prioridade é não voltar à Segundona. Perder de pouco para o lendário Santos seria digno.
Fiquei sabendo que até o presidente da agremiação do bairro da Recoleta, na capital Assunção, inscreveu-se na Conmebol (confederação sul-americana) para o jogo, a fim de “reforçar o elenco”. Luis Vidal tem 52 anos. A Associação Paraguaia vetou.
Eu quase nunca vejo a insossa Sul-Americana, segundo torneio em importância na América do Sul. Só me desperta interesse a partir das semifinais, e somente se houver brasileiro vivo.
Santos x Recoleta me atraiu porque Neymar, 34, o capitão santista, está em uma cruzada para mostrar a Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, que tem condição de disputar sua quarta Copa do Mundo. Eu vi para ver o camisa 10.
O Santos marcou com menos de cinco minutos, gol dele, Neymar, que chutou da pequena área depois de cruzamento de Gabigol. A aguardada goleada começando, pensei.
Pensamento equivocado. Os santistas não impuseram o massacre previsto. O tempo passava, e enquanto Neymar e companhia pareciam ter certeza de que outros gols surgiriam mesmo sem inspiração, o Recoleta esbanjava, para compensar a falta de técnica, disposição.
Parecia pouco. Não era capaz de manter a bola por mais que cinco segundos antes de um chutão. Um desses foi na direção da área do Peixe, e Lucas Peres, sem necessidade, fez uma carga nas costas de Figueredo. Pênalti.
Richard Ortiz converteu. O Recoleta marcava um gol histórico, o primeiro fora do Paraguai. Seria a única finalização da equipe no jogo.
Felicidade paraguaia nas alturas na Baixada Santista, os jogadores naturalmente correriam na direção de sua torcida para festejar o feito.
Não correram. Conforme relatou André Galvão, que fazia reportagem in loco para o SBT, não havia ninguém no setor dos visitantes.
O Recoleta tinha um no placar e zero na torcida. Nenhuma alma viva, um “pequeno cemitério” na arquibancada. Detalhe: o Recoleta tem como apelido Coveiros, alusão ao endereço do clube, próximo a uma necrópole.
Por contraditório que seja, pareceu triste:ma das alegrias do futebol é comemorar junto à torcida.
E triste a partir daí mostrou-se a atuação do Santos, e de Neymar, que deixou a desejar. Não só no gramado.
Encerrado o confronto, discutiu com torcedor, mandando-o calar a boca e chamando-o, pejorativamente e entre risadas, de gordinho.
Para Neymar, a Copa continua distante. Para o Recoleta, o 1 a 1 foi uma conquista de Copa.
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Autor: Folha








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