O pré-candidato à presidência Romeu Zema (Novo) usou o palanque da cerimônia da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto, nesta terça-feira (21), para intensificar o confronto com o Supremo Tribunal Federal (STF) e dirigir uma pergunta direta ao ministro Gilmar Mendes.
“Eu pergunto a você, ministro Gilmar Mendes: a Justiça não deveria ser cega?”, disparou, em meio a aplausos da plateia. O discurso ocorre um dia depois de o ministro do STF ter pedido a inclusão de Zema no chamado inquérito das fake news.
O ex-governador classificou o momento atual como de “profunda vergonha moral” e questionou episódios envolvendo ministros da Corte. “Como pode a esposa de um ministro do Supremo ter um contrato de R$ 129 milhões com o maior golpista do Brasil? Um ministro que, do dia para a noite, vira um grande investidor no negócio do turismo”, disse Zema, sem citar nomes.
“Um ministro que, ao julgar um processo positivo para Minas Gerais, acha que estamos em dívida com o Supremo Tribunal Federal”, afirmou Zema, se referindo a postagem de Gilmar Mendes em sua página no X, na qual classificou como “irônico” o fato de Zema atacar o STF após ter recorrido à Corte para aliviar as dívidas de Minas Gerais com a União.
Zema encerrou o discurso conclamando os presentes a decidir “quem vai mandar no Brasil, se serão os intocáveis de Brasília ou os brasileiros de bem”, e afirmou que o país vive há quase 25 anos imerso em uma “crise ética”.
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Para traçar o paralelo com a Inconfidência Mineira, Zema evocou a execução de Tiradentes. “Tiradentes foi esquartejado porque se rebelou contra o quinto, um imposto de 20%. Hoje o brasileiro trabalha quase metade do ano para sustentar um sistema podre e vendido que não devolve nada ao povo”, afirmou.
E foi direto na comparação: “Brasília explora o Brasil igual os portugueses fizeram. É um eterno ciclo colonial sendo revivido, onde o governo é rico e o povo é pobre.”
Romeu Zema também citou as denúncias de fraudes no INSS e disse que “o dinheiro do pagador de impostos é drenado para sustentar uma casta de intocáveis que se julga acima da lei. O sistema vive no luxo e o povo no lixo”.
A comparação com a Inconfidência integra uma estratégia deliberada de Zema, que já havia antecipado que usaria a data para associar a atuação do Judiciário à opressão colonial.
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi o principal homenageado da cerimônia, ao receber o Grande Colar da Inconfidência, mais alta honraria do estado de Minas Gerais.
Zema o elogiou: “São Paulo não passou pelas mãos podres do PT. Isso com certeza ajudou São Paulo a manter sua riqueza. Afinal, não foram assaltados como fomos aqui em Minas.”
Em tom de prestação de contas, Zema defendeu sua passagem pelo governo mineiro e celebrou a continuidade sob Mateus Simões (PSD). O discurso ocorreu durante a solenidade conduzida pelo governador Simões em Ouro Preto, cidade que retoma seu papel histórico como centro simbólico de Minas a cada 21 de abril.
O ministro do STF André Mendonça, que seria um dos homenageados com a Medalha da Inconfidência, não compareceu à cerimônia.
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Autor: Gazeta do Povo








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