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Somos, ou fomos, o país do futebol? – 22/07/2026 – Marcelo Bechler

Nos orgulhamos de nos chamarmos de “o país do futebol“. O que isso quer dizer? Somos quem mais gosta do esporte e ele está espalhado por cada rua ou roda de conversa? Somos quem mais vencemos, por isso nos autointitulamos assim? Ou somos quem melhor joga?

De fato, pelas experiências que tive no Brasil e fora daqui, acredito que somos os que vivemos mais intensamente o futebol. Por este ponto, a alcunha encaixa bem. Quando vamos falar de conquistas, seguimos como os únicos pentacampeões, mas a cada Copa do Mundo que perdemos parece que nossa era de ouro, a era de quando fomos “o país do futebol” fica cada vez num passado mais distante.

Até 1970, o Brasil venceu três Mundiais e ainda havia sido vice-campeão em 1950. Após o tri, foram 14 Copas do Mundo em 56 anos, ganhamos duas, chegamos a seis semifinais e três decisões. E neste recorte de mais de meio século, Argentina e Alemanha venceram mais do que nós, com três títulos cada. Empatamos com Espanha, França e Itália também com dois títulos. Alemanha (8) e França (7) têm mais semifinais, enquanto os argentinos têm o mesmo número (6).

Nas últimas seis edições, só conseguimos atingir a semifinal uma vez: no 7 a 1 de 2014. Ficamos atrás de França com quatro semis; Argentina e Alemanha chegaram três vezes; Espanha, Croácia, Inglaterra e Holanda, duas. A Itália tem uma semifinal, se diferenciando de nós por ter avançado e sido campeã. Marrocos, Portugal, Uruguai e Bélgica também ficaram entre os quatro uma vez.

Aqui começamos a ter alguma resposta para a pergunta inicial desta coluna. Somos historicamente o país do futebol. Ainda somos os maiores campeões, mas a questão passa a ser: até quando? Alemanha e Itália não vivem grandes momentos em Copa do Mundo, com os alemães não chegando às oitavas de final desde 2014 e os italianos não avançando além da primeira fase (quando conseguiu participar) desde 2006.

Como retrospecto histórico, a situação talvez não seja preocupante. Porém as duas últimas décadas mostram como não conseguimos competir com seleções médias. E o último meio século nos deixa em alguns pontos empatados e, em outros, atrás de todas as grandes e também das novas potências –como França e Espanha.

Este cenário precisa fazer que paremos para pensar no que está acontecendo. A Espanha passou a escolher uma forma de jogar e fortalecer seu futebol através da escola da posse de bola, aproveitando as características físicas de seus jogadores. Tinha vencido uma Eurocopa até 2006. Depois, venceu três Euros e duas Copas.

A França tem um centro de formação de base que trabalha os jovens durante a semana e os “entrega” aos seus clubes para jogar nos finais de semana. O projeto visa melhorar os fundamentos e as características do “futebol de rua” que se joga nas periferias de Paris e outras cidades, maximizando as principais características de seus talentos.

A Argentina é um fenômeno diferente: o raio caiu duas vezes no mesmo lugar com Maradona e Messi. Não há um projeto organizado, mas o talento individual foi capaz de fazê-los chegar mais longe do que nós neste período.

A partir daqui vêm mais perguntas do que respostas: por que antes ganhávamos e agora não mais? Por que temos desempenho parecido ao de seleções medianas nas últimas décadas? Se não encontrarmos as respostas, não vamos solucionar os problemas.

E a pergunta que vai ficar é: somos, ou fomos, o país do futebol?


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Autor: Folha

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