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Veja trajetória de Kerolin, reforço mais caro do Barcelona – 23/07/2026 – Esporte

Ainda criança, Kerolin ouviu dos médicos que talvez nunca mais pudesse jogar futebol.

Aos 12 anos, a atacante desenvolveu uma osteomielite (uma infecção óssea grave) na perna direita. Passou cerca de três meses internada. Em um dos momentos mais críticos, a família recebeu o alerta de que a amputação poderia ser necessária caso o tratamento não surtisse efeito.

A recuperação foi lenta. Ela precisou reaprender movimentos simples antes de voltar a correr. Quando recebeu alta, ouviu que deveria abandonar esportes de contato. O futebol, porém, continuou sendo seu objetivo.

Nesta quarta-feira (22), Kerolin deu mais um passo que naquela época poderia parecer improvável. O Barcelona encaminhou sua contratação junto ao Manchester City por cerca de 1,5 milhão de euros (R$ 8,6 milhões). Ela deve viajar à Espanha até o fim da semana para os trâmites finais.

A negociação representa a maior contratação da história da equipe feminina do clube catalão. Também transforma Kerolin na brasileira mais cara da história do futebol feminino e na terceira jogadora mais cara da modalidade. O recorde do país pertencia a Amanda Gutierres.

Revelada nas categorias de base do Valinhos, cidade vizinha a Campinas, Kerolin passou pelo Guarani (em parceria com o Valinhos), por Corinthians/Audax, Ponte Preta e Palmeiras. Foi pela Ponte que despontou nacionalmente. Em 2018, marcou 14 gols em 35 partidas, foi eleita a revelação do Campeonato Brasileiro e passou a ser tratada como uma das principais promessas da seleção brasileira.

Mas, quando parecia prestes a disputar sua primeira Copa do Mundo, veio outro golpe.

Em 2018, durante a disputa da Copa Libertadores feminina pelo Corinthians/Audax, a atacante testou positivo para as substâncias GW1516 (hormônio modulador) e probenecida (diurético) em um exame antidoping.

A suspensão de dois anos foi confirmada no ano seguinte, quando era recém-contratada pelo Palmeiras, e a tirou da Copa do Mundo da França, interrompendo a ascensão da carreira.

“Eu sempre ajudei minha família, mas sem jogar, não conseguia mais. A gente começou a ter muita dificuldade. Às vezes não tinha o que comer. Cheguei a pedir dinheiro emprestado para pagar quando eu voltasse a jogar. Tinha crise de ansiedade, não conseguia dormir”, contou.

Em entrevista ao ge, Kerolin disse que não tinha explicações para o resultado do exame; o Palmeiras tentou recursos para reduzir a pena, inclusive junto à Conmebol, mas sem sucesso. Ela sempre negou o uso de qualquer substância.

A punição acabaria em março de 2021 (para jogos oficiais), mas a regra permitia que ela voltasse a treinar três meses antes disso. E ainda em dezembro de 2020 veio a chance da redenção. A técnica Pia Sundhage incluiu Kerolin numa convocação para treinos na Granja Comary no mês seguinte.

Em 2021, ela passou a atuar no Madrid CFF. Foi um recomeço discreto. Depois de dois anos longe dos gramados, precisou recuperar ritmo e confiança antes de voltar a chamar atenção. No ano seguinte, acertou a transferência para o North Carolina Courage, dos Estados Unidos.

Em 2023, tornou-se a primeira brasileira eleita melhor jogadora (MVP) da NWSL, principal liga feminina dos Estados Unidos.

Naquele mesmo ano, disputou sua primeira Copa do Mundo, na Austrália e na Nova Zelândia, onde atuou nas três partidas da seleção brasileira, eliminada ainda na fase de grupos.

Em outubro, sofreu uma ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho direito. A lesão a afastou dos gramados por vários meses e colocou em dúvida sua presença nos Jogos Olímpicos de Paris.

Recuperada a tempo, foi convocada por Arthur Elias, disputou as Olimpíadas e conquistou a medalha de prata com a seleção brasileira. Na semifinal, marcou o quarto gol da vitória por 4 a 2 sobre a campeã mundial Espanha, que colocou o Brasil na decisão —a seleção foi superada pelos EUA na final.

O Manchester City a contratou no início de 2025. A resposta veio rapidamente. Kerolin foi um dos destaques da campanha que terminou com os títulos do Campeonato Inglês e da Copa da Inglaterra.

Agora, chega ao Barcelona no momento em que o clube atravessa a maior reformulação de seu elenco em anos. Nas últimas semanas, deixaram a equipe nomes históricos como Alexia Putellas, Ona Batlle, Mapi León e Salma Paralluelo, protagonistas de um dos ciclos mais vitoriosos da história do futebol feminino europeu.

Kerolin é também um dos grandes nomes da seleção brasileira para a Copa do Mundo do ano em que vem, em que o país será sede. Campeã da Copa América de 2025, ela utilizou a camisa 10 durante o Fifa Series deste ano, em que Marta esteve ausente, e foi escolhida a melhor jogadora do torneio.

Autor: Folha

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